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Os novos desafios


Bruno Valverde é uma das revelações da nova geração de bateristas brasileiros. Um grande momento de sua carreira foi vencer a etapa de São Paulo do Festival Odery de 2007, que o levou à grande final. Agora ele segue tocando, gravando, estudando com Fabiano Manhas e buscando cada vez mais desenvolver musicalidade e trabalhar sua técnica.

 


Hoje o estudo da bateria é mais fácil, mas a vida de músico parece ter ficado mais difícil. Quais desafios a nova geração de bateristas enfrenta?

Bruno Valverde: O estudo no geral está mais fácil, sim, mas como diz o grande Freddie Gruber, a técnica relacionada ao estudo só é boa quando bem aplicada, então a questão do estudo é relativa à maneira que a pessoa absorve tanta informação. Sim, temos muito mais acesso à informação especifica ao que se quer. Mas um dos desafios é conseguir a confiança do mercado (músicos do meio, lugares contratantes, etc.). Ao verem uma pequena massa de bateristas sem informação musical adequada para a hora do “vamu vê”, músicos, produtores, contratantes vão criando alguns preconceitos quanto à idade do baterista, ou pelo momento musical que está se desenvolvendo.

O que considera importante para o baterista que quer gravar? E fora da bateria, o que é importante para gravar?

BV: Primeiro, um fator principal é conhecer, na verdade ter intimidade, com clique (o metrônomo). Isso é uma lição de casa: não deixe para resolver na hora da gravação. Além do que é ligado à bateria, saber que tempo é dinheiro, ainda mais no estúdio [risos]. Entenda que a tensão inibe a execução, portanto na hora da gravação seja muito preciso, em especial com relação aos rim shots e viradas, mas relaxado, sem tensões.

Fale de seu trabalho com a banda União, e sobre as gravações com a Soul Free.

BV: A banda União está em estúdio no momento. É uma experiência muito bacana, pois associamos o heavy metal clássico com hard rock e power metal, buscando sempre aquela pitada comercial (essa é a verdade), mas mantendo nossa característica. Antes de nos prepararmos para entrar em estúdio, fizemos bastante shows no Grande ABC e em uma boa parte do litoral paulista. Estou há pouco mais de um ano na banda. É engraçado que, um bom tempo atrás eu tinha trabalhado como free-lancer na banda, sem imaginar que mais tarde voltaria como batera titular.

Sua técnica abusa dos doubles, tanto nos pés quanto nas mãos. O que e como você estudou para desenvolver isso?

BV: Sempre fui muito rigoroso comigo mesmo. Meu primeiro professor me atentou muito à disciplina do estudo. Aprendi muito cedo a ter metas de curto e longo prazo para o desenvolvimento, e a me concentrar bastante na hora da pratica. Isso me ajudou muito, pois quando chegou aquela fase da cabeça abrir para o mundo técnico ficou melhor para seguir caminhos pessoais na forma, na técnica de como tocar. Técnicas básicas realmente me ajudaram a chegar à velocidade que queria, à limpeza e consistência da execução. Hoje, para manutenção, uso técnicas básicas de toques simples, doubles, paradidles, drags e flams. Um exercício que friso muito é o paradidle e suas muitas formas de aplicação e combinações. Busco muito trocar combinações de pés e mãos com o paradildle. Quando meu segundo professor investiu na minha técnica de pés que comecei estudar com afinco os doubles nos dois pés. Hoje, graças a esse contexto e essa base de combinações, chego a 235 bpm em semicolcheia. Com um estudo concentrado e nada mais.


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