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As novas gerações estão acessando as raízes do samba pela porta do samba-rock. Apesar de ter surgido no final da década de 1960, os anos 2000 deram espaço e público ao estilo. E as novas gerações de músicos estão crescendo com o samba-rock nas mãos. Um exemplo é o baterista Bruno Marques. Com grande atuação no meio, este ano ele já foi mostrar seu suingue até na China. E segue colocando muita gente pra dançar por aqui.
Sua atuação é principalmente no meio samba-rock. O que é tocar samba-rock na bateria?
Na minha opinião, o samba-rock pra bateria é algo como um samba moderno. Tem inúmeros grooves que se encaixam no samba-rock, com muitas influencias de outros estilos, primeiramente do samba, e também tem muito do funk, jazz, até rock’n’roll, e salsa.
Como foi pegar a manha do estilo? Como foi sua formação e entrada no meio?
No começo foi bem difícil. Todo batera começa com o “Tum-tá-tum-tum-tá”, e eu comecei "tentando" fazer semi-colcheia no chimbal e o bumbo já estava “tumtum, tumtum, tumtum” [risos]. E eu já tocava percussão no Sambasonics, sabia praticamente todos os grooves e viradas dessa onda, e já comecei a estudar isso na batera. Entrei no meio quando o Augusto Swing me convidou pra tocar bateria na banda dele. Ai comecei dar canjas, fazer subs, etc. Hoje toco percussão no Sambasonics, batera com o Augusto Swing, Sambasoul e Pam e Banda de Quebrada. E como músico free-lancer trabalho também com o Clube do Balanço, Farufyno, Duani e Mariana Aydar.
A percussão ajuda na hora de tocar bateria?
Ajuda muito. Você imagina a bateria como se tivesse três percussionista tocando ao mesmo tempo. Passei todas as levadas que fazia no tamborim para o aro de caixa, as levadas de pandeiro para o chimbal, e assim por diante. No fim, os grooves me ajudaram.
Há alguma coisa interessante que você possa nos ensinar sobre o estilo?
A melhor coisa é ouvir bastante. Recomendo Jorge Ben, Bebeto, Tim Maia, Luis Wagner, Branca di Neve, Marku Ribas, Ed Lincoln e Originais do Samba, entre outros. Também segue abaixo um vídeo de uma performance minha com o Farufyno.
Fale da experiência de tocar ao lado do ícone do estilo: Nereu Mocotó.
Muito boa, a experiência. Aprendi muita coisa com ele. É uma outra onda do samba-rock, diferente de tocar com o Sambasonics ou com o Clube. Você imagina muito uma Timba na batera, por que o Trio Mocotó não tinha batera, era só a timba do João Parahyba.
Em junho você esteve na Expo Shanghai representando o Brasil. Como foi essa experiência, e como foi a receptividade do público por lá?
Cara, foi uma experiência muito boa, e também minha primeira viagem para fora do Brasil. Olha só, de sáida já encarei 28 horas de avião [risos]. Mas foi irado, recebemos muitos elogios. Os chineses adoraram o som, dançaram o show inteiro. E também foi uma estrutura bem legal. No mesmo dia, no pavilhão do Brasil, teve show do Zimbo Trio e do Barbatuques, foi massa.