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Adriano Radael é um batera trabalhador. Encara de tudo com a mesma musicalidade e disposição. Suas baquetadas começaram no interior de São Paulo, e já fizeram bandas de baile, duplas sertaneja e artistas. Hoje, radicado em São Paulo, ele toca na banda Rodhanna, com o show “Mama Mia”, um tributo ao ABBA, e com a banda Sincrônica, um trabalho instrumental que busca a inovação.
A banda Rodhanna faz um espetáculo de Disco Music. Como é o show?
O show do Rodhanna é focado nas músicas dos anos 70, da era Disco. Apesar de tocarmos covers, fazemos nossos próprios arranjos a partir da nossa instrumentação. Temos um DJ, que solta algumas bases, e a sonoridade se mistura entre o acústico e o eletrônico. Também fazemos algumas releituras dos hits dos anos 80 e 90. E há um momento do show em que mostramos duas músicas próprias com roupagem setentista, que são “Pra você voltar” e “Seguir só”.
Tecnicamente, o que é mais exigido de você?
Sou muito exigido na força, já que tenho uma hora e meia de show com back beat marcante. Tenho que me concentrar em manter a pegada sem me cansar. Minha técnica mudou a partir do momento em que comecei a limpar as notas com rimshots. Às vezes ainda dá umas engasgadas [risos].
E a banda Sincrônica está lançando um novo álbum. Como anda esse trabalho?
Isso mesmo, a banda Sincrônica esta com um novo CD autoral, com dez faixas, pronto para ser prensado. Todas as músicas estão disponíveis para serem ouvidas no nosso MySpace [http://www.myspace.com/bandasincronica]. Nosso processo de composição funciona assim: os guitarristas Samir e Pitu e o baixista Pedrão (que também toca comigo no Rodhanna) chegam com os temas, ou uma linha de baixo, e eu vou criando em cima. Ficamos trancados dois meses ensaiando o material do álbum novo, e depois fomos para o Estúdio Mega. Em um dia gravamos tudo, ao vivo e valendo. Depois entraram os arranjos de metais e teclados, separadamente. Nestas gravações usei minha bateria Odery Previlege, com um tom de 10” e um surdo de 14”, e uma caixa de madeira, de 14x6”. De pratos, fui com dois ataques, um 16” e um 17”, um splash de 10”, um china de 14”, um casal de chimbal de 13” e dois conduções de 20”. Usei um ride mais fino, light, para a maioria das músicas, que são mais leves e com conduções mais abertas. E o outro é um heavy ride, para as mais pesadas, com uma cúpula maior. Aliás, é o mesmo kit que uso no Rodhanna. Há pequenas diferenças: o segundo prato de condução só uso na Sincrônica, e no Rodhanna levo também uma segunda caixa, de 12x7”.
E na Sincrônica, como você é exigido?
Bom, tanto no Rodhanna como na Sincrônica, toco ao vivo com click, já que os dois shows têm sincronia com imagens e instrumentos com bases gravadas. A diferença é que na Sincrônica estamos tratando de musica instrumental, em que passamos por ritmos brasileiros, jazz e rock, e trabalho muito mais com dinâmicas. Para isso, estudo em um pad, com clique, e vou alternando toques do mais forte que consigo até o mais baixo.
Um trabalho de dança, coreografado, então “fechado”; outro pautado pela improvisação, então “aberto”. Como eles convivem dentro de um único baterista?
O Rodhanna tem quatro bailarinos e eles montam a coreografia em cima dos nossos arranjos. Quando vamos para o ensaio geral, ainda tento pontuar algumas notas, sem sair muito do foco da música, claro. Mas às vezes tenho que mudar as partes de bateria para encaixar com a coreografia. Na hora do “vamos ver”, se os dançarinos erram, eles tem que correr atrás! [risos] Na Sincrônica, sou um baterista mais solto, com certeza!
Você vem do interior, e de uma formação em bandas de baile e duplas sertanejas. Como esses trabalhos moldaram sua formação como músico baterista?
As bandas de baile foram minha maior escola, onde aprendi a ter resistência e tocar vários estilos na mesma noite. E tocar ao vivo com clique, isso foi fantástico! Tenho um amigo e compadre, baixista, cantor e compositor, Mauro Bueno [http://www.myspace.com/maurobueno], toquei com ele por seis anos e, quando encontro com ele, digo que foi o melhor professor de bateria que eu já tive. O cara toca baixo e canta como poucos...
Você tem mais algum trabalho paralelo?
Também dou aulas no Atelier da Escola Viva, em São Paulo, para alunos com idades entre 7 e 12 anos. A escola Viva é uma escola que vai do infantil ate o Fundamental 2. Quando comecei a dar aulas lá, mudei muito meu jeito de lecionar. São todos iniciantes, e tenho que fazer um processo de musicalização com eles. Trabalho leitura, técnica e tenho que segurar um pouco a ansiedade deles. Por exemplo: na primeira aula, o garoto já quer tocar “Smoke on the Water”, do Deep Purple. Todo final de ano tem apresentação dos alunos, e os Pais querem ver os meninos tocando.Não e fácil! Artisticamente, passo o quanto eles tem de ser humildes, cumprirem com seus horários, respeitarem os outros músicos e, como diz o Mestre Carlos Balla, menos é mais. A escola trabalha com inclusão social, então tenho um aluno deficiente visual, um autista e um com esclerose. Então não perdi tempo: corri atrás e estou fazendo Licenciatura em Música. E estou muito feliz com os resultados. Gostaria muito de citar o nome do cara que me indicou pra escola: o baterista Leandro Paccagnella, que está há doze anos na Escola Viva. Ele também dá aulas de musicalização no Fundamental e é um cara que me ajuda muito desde que cheguei em Sampa.