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Com ele as coisas são simples e objetivas: ele é um baterista de hardcore, “nada mais”. Apesar de ter passado um bom tempo sem tocar, enquanto morou no Japão, o fato de ter a bateria na veia ajudou a reencontrar as baquetas e assumir o banquinho no Questions. A banda lançou o álbum “Rise up” ano passado e, em 2010, já fez sua segunda turnê européia.
Você esteve na Europa com o Questions em 2009. Como foram os shows?
Estivemos na Europa pela primeira vez em 2007, tocamos em dezessete países e fizemos trinta e sete shows. Foi um sonho realizado porque desde moleques sonhávamos em tocar lá, ver nossos ídolos como Sepultura e Ratos de Porão botando pra quebrar e levando nossa bandeira com eles. Como era nossa primeira turnê européia, qualquer buraco em que tocávamos estava bom demais [risos]! Tocamos desde “squats”, que são casas abandonadas tomadas por punks locais, até em locais de maior infra-estrutura, com equipamentos da mais alta qualidade. O publico, na maioria das vezes, era bastante receptivo e curiosos sobre o Brasil. Nesta turnê de 2009 percebemos que a estrutura melhorou bastante, tanto que não tocamos mais em “squats” e sim em casas de show. Foi maravilhoso! O público que nos viu em 2007 voltou para ver de novo, e isso quer dizer que estamos atraindo público a cada volta pela Europa.
Como o Questions abriu portas para levar o hardcore brasileiro para a Europa?
Foi bem antes de nós que bandas como Cólera e Ratos de Porão, do lado punk hardcore, e o Sepultura, pelo lado metal, abriram as portas para o som brasileiro. Graças a eles, quando bandas brasileiras chegam, o pessoal já espera algo especial. E é verdade, temos mais swing, mais garra e vontade de crescer do que eles, por sermos do terceiro mundo e nascidos na terra do ritmo.
O novo álbum “Rise Up” tem características bem agressivas. Como é a composição das músicas? Como você cria as partes de bateria?
Na maioria das vezes o Edu, nosso vocal, apesar de não tocar guitarra na banda, compõe e vem com um riff de guitarra para nos mostrar. Às vezes com a música quase pronta, já sabendo que batidas encaixar, daí ai vou só arrumando a casa [risos]. O Pablo Menna, nosso guitarrista, também vem com muitos riffs e, como toco um pouco de guitarra, fica mais fácil entender o que estão querendo que eu toque na bateria. Por exemplo, na faixa “The victory speech”, do Rise Up, o Edu surgiu com o riff de entrada e eu já fui tocando, foi tipo amor à primeira vista [risos]. Ninguém disse o que era pra eu fazer, mas encaixou como uma luva! Neste novo CD eu não quis encher de notas, acho que perturba a música, fica uma coisa enjoativa. Preferi fazer uma virada matadora no momento certo, e não ficar enchendo de viradas pra dizer que sou o cara. Essa época já passou. Tem gente que enche a música de pedal duplo quando é muito mais legal encaixar a frase num determinado momento ou num riff de guitarra. O Pantera fazia isso muito bem, ouça a música “Becoming”, com certeza vai ficar marcado na mente de quem ouvir!
Você conta que passou quase dez anos sem tocar, enquanto vivia no Japão. Como é retomar o estudo depois de tanto tempo, e como você media os resultados?
No Japão cheguei a tocar com uns amigos, mas o grupo logo se desfez pois ninguém tinha tempo de manter uma banda e trampar lá. Quando eu vinha para o Brasil ver a família e amigos, fazia jams sessions com esses mesmos amigos do Questions, mas fui desistindo de tocar bateria e acabei por esquecê-la. Quando voltei em definitivo, o Questions tinha acabado de lançar o primeiro CD "Resista!", e estavam procurando um batera. Fui a primeira escolha deles, pois tocamos desde moleques juntos, desde os tempos do More Beer. Mas fui ingênuo o bastante para aceitar o desafio. Pensava que com alguns ensaios já resolveria, mas as músicas estavam mais rápidas, faltava pegada, força e energia no meu play. Tive que treinar muito, fazer aulas pra corrigir postura, usei pesos pra tocar nos tornozelos e ainda hoje em dia pratico com baquetas de ferro. Posso dizer que a bateria é como uma academia de ginástica. Você tem que estar em forma pra tocar hardcore metal, se não o pessoal vai perceber que é um fracote [risos]. Os resultados virão, com certeza, mas demora. Por isso muita gente desiste ou fica na mesma. Quem fala que não estuda mas você vê que o cara é bom, esta mentindo. Ele passou horas sentado no banquinho da bateria por muitos anos. Você tem que sair da zona de conforto sempre. Não se acomode!
Você está lançando um playalong deste novo álbum. De onde veio a idéia?
Na verdade eu já tinha vontade de fazer um playalong do nosso segundo CD, o “Fight for what you believe” (2007), mas por falta de tempo, e estávamos com a turnê européia em cima da hora, o projeto ficou pra trás. Prometi pra mim mesmo que no próximo álbum eu faria um playalong de bateria, e ele já esta disponível. O mais legal disso é que é de graça, eu dou o playalong pra quem quiser. Comprando o nosso novo CD, você que é baterista pode exigir o seu playalong! Este nosso novo CD é especial pra bateristas também, porque possui um vídeo das gravações das baterias, um mini documentário de dez minutos, com as curiosidades que envolvem a captação, os erros, o equipamento usado, etc. A idéia do playalong surgiu por não existir este tipo de material para bandas de hardcore. Agora que está aparecendo material playalong pra vender ou baixar na internet, mas são de bandas como Dream Theater, Rush, etc.,muito difícil de tocar, principalmente pros iniciantes. Eu mesmo não saio da musica "6:00", do Dream Theater faz tempo! [risos]. Pensei que também muitos moleques não tem banda ainda e já tocam um pouco, poderiam curtir um ensaio com o Questions. É só rolar o CD e acompanhar. O legal de tocar em cima de playalongs é que você pode mudar as levadas, fazer novas viradas, se divertir com a música. Comecei a dar aulas por incentivo do Dino Verdade. Estudei com ele, fui pegando certificados,e daí ele me convidou a dar aula na escola dele, o Bateras Beat. Fiquei muito honrado pelo convite. Além do Dino ser um excelente professor, é uma pessoa muito querida na escola. Todos somos unidos, professores e alunos.
Como o Questions se movimenta dentro da atual cena “emocore”?
Nunca seguimos uma tendência de momento, como muitas bandas fazem. Se um estilo esta atraindo mais publico, o pessoal tende a modificar um pouco o som para se aproximar da cena que esta pegando. Nós não, tocamos o verdadeiro, puro e simples hardcore. Ficamos mais na nossa mesmo, nem conhecemos muitas bandas deste estilo “emocore”, ou “metalcore”. Somos uma banda de hardcore, nada mais.
Conheça mais do Questions pelo site www.questions.com.br.