Música alternativa para poesia alternativa


Flávio Caldas não é um baterista como todos os outros. Sua pegada firme, sua versatilidade e seu gosto pela música brasileira com um pé firme no rock definem uma identidade musical que parte do princípio da liberdade de expressão. Sua banda Clave de Clóvis é o meio para essa expressão livre, criando músicas alternativas para poesias críticas e criativas.

O som de sua banda Clave de Clóvis é muito peculiar. Como é o processo de composição da banda, e em especial a sua composição à bateria?
Sempre é algo muito prazeroso compor junto aos integrantes da Clave de Clóvis, estruturar músicas, idéias, conceitos e estéticas, além do grande aprendizado que é testar sempre a cada música uma sonoridade diferente, um ritmo diferente, uma textura nova ou misturar tudo pra ver o que acontece e, mesmo nos momentos em que a música parece não estar funcionando ou existem diferenças de opinião ou percepção de como a música deva soar, sempre existe muita liberdade e total confiança no que cada um irá criar e obter ao final do processo. As composições são trazidas pelo Rafael (guitarra, teclado e voz) e também pelo Daniel (guitarra, violão e voz). A partir daí eu e o Fábio (baixo) entramos na história, desenvolvendo idéias, acertando os grooves, acrescentando partes, trechos e, algumas vezes umas convenções. De outras vezes as músicas já chegam praticamente prontas, aí deixamos que a própria sonoridade dessa composição nos guie, até que cheguemos a um resultado que não só satisfaça os desejos pessoais, mas também o da própria música.

Sua formação aconteceu no sentido contrário ao comum dos bateristas: você começou pela música brasileira, e depois foi para o rock. Como crê que isso influencia sua maneira de compor suas partes de bateria?
Sim, é verdade. Apesar de eu, antes do início do meu aprendizado de bateria, estar muito ligado ao rock e ter toda as grandes influências das maiores bandas desse gênero, quando comecei a tocar sempre estive muito próximo a músicos e amigos que tocavam e tocam MPB. Minha primeira banda tocava Gilberto Gil, Marisa Monte, Djavan etc. e isso acabou me ajudando muito, não só pela qualidade dos músicos que acompanhei sempre, mas pelo gosto musical bem diversificado deles. Até meu primeiro professor Ivo Junior tem grande parte nessa influência toda, que me fez desenvolver de forma mais rápida a linguagem da MPB, ou a maior parte dela. E daí, pra que se obtenha disso uma influência positiva na forma de tocar, é muito mais fácil. A MPB é notavelmente diversa e com muitas vertentes rítmicas. Ajuda, e muito, no processo criativo pra compor na bateria.

E a Clave de Clóvis está trabalhando álbum novo. Como estão as gravações?
Sim, entramos em estúdio nesse mês de maio. Já temos gravadas as estruturas de bateria, guitarra e baixo, e estamos satisfeitos com o que obtivemos até agora, não só pela maturidade e nova cara que a banda tomou a partir da entrada do Daniel, pelas composições e sonoridade que chegamos até o momento, mas também pela euforia do processo de gravar, de como é prazeroso e cheio de surpresas, até então muito boas, que temos obtido. Creio que este novo trabalho marcará um ótimo momento da Clave, com ótimas composições e um CD de muita energia.

Como o seu estudo de harmonia influenciou a sua maneira de tocar?
Me ajudou muito na compreensão das cadências harmônicas, na percepção do que chamo de “pontos âncora”, em que a pulsação, intensidade e nuances da música estão ancoradas, por assim dizer. Hoje em dia não me arrisco mais a tocar violão, deixo pra quem sabe [risos], mas ele me foi de grande ajuda pra perceber melhor como os outros instrumentos interagem entre sim, perceber suas linhas e suas intenções dentro da músicas de forma geral.

Você também atua com Rogério Temporini e a banda Pétrea. Como andam estes trabalhos?
Sempre estive ligado tanto ao Rogério e a Banda Pétrea nas pessoas de Paulo Seixas e a Andréa Massad, que são meus amigos de longa data, e sempre tivemos não só esses projetos, mas vários outros, que têm seus tempos e seus momentos de acontecer. Ao Rogério, que é um grande músico, violonista, guitarrista e grande compositor, sempre estivemos ligados desde a infância. Fizemos muitos e muitos projetos junto e certamente continuaremos a fazer tantos outros quanto nos forem possíveis. Quanto à banda Pétrea, o Paulo Seixas e a Andréa são pessoas que conheço há muitos anos também. O Paulo é o responsável direto pela maior parte de minha sonoridade em todas as grandes gravações que realizei, por meio de seu estúdio e sua capacidade e competência. Inclusive, a captação da bateras deste novo CD da Clave de Clóvis é de responsabilidade dele. E a Andréa é uma grande cantora, muito competente, e com personalidade forte em suas composições e interpretação. Infelizmente esses projetos hoje em dia estão em stand by. Mas tenho vontade de, quando possível, retomá-los. Por outro lado, sempre me cerquei de bons amigos, boas influências e pessoas muito capazes, desde meu ensino até as pessoas que acompanhei e acompanho atualmente, e certamente por esse motivo tenho orgulho do que faço.


Mais informações:

www.clavedeclovis.com
www.myspace.com/flaviocaldas
www.myspace.com/clavedeclovis
www.myspace.com/bandapetrea
www.myspace.com/rogeriotemporini
http://www.myspace.com/marcelomimary



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