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O trabalho sólido e a crença inabalável deste baterista, de que a beleza da música pode ser compreendida por qualquer pessoa, mesmo aquelas com pouco ou nenhum conhecimento musical, são sementes que geram frutos no interior de São Paulo. Julio Bittencourt ainda não conseguiu transformar sua Cruzeiro natal, a meio caminho do Rio de Janeiro, na Meca brasileira do jazz, mas seu trio consegue cada vez mais datas e espaços relevantes. Agora o grupo solidifica seu estilo e lança o terceiro álbum de estúdio e comemora nove anos de trabalho.
Como anda o Julio Bittencourt Trio?
O trio anda bem graças a Deus. Lançamos, ano passado, nosso terceiro CD intitulado “3 Três”. Por ser o terceiro álbum, e sermos um trio, achamos que talvez o óbvio fosse adequado para o momento. Este disco traduz “literomusicalmente” nosso período até este momento. São músicas que marcaram os shows e que determinaram nosso estilo, criando oportunidades de voltarmos a lugares em que tocamos e abrindo espaço em outros importantes, como o Festival de Rio das Ostras 2009. Ainda não nos palcos principais, mas tocamos dois dias em shows que fizeram parte do roteiro da cidade do jazz, além do Festival de Cuiabá e do Festival de Jazz do Forte de Copacabana (RJ), entre outros. Neste novo CD, o repertorio conta com arranjos sobre músicas consagradas como “A Rã”, de João Donato, "Fotografia", de Tom Jobim, e arriscamos interpretações sobre musicas eruditas. Trabalhamos com uma “Bachiana”, de Villa-Lobos, e “Jesus, Alegria dos Homens”, de Bach.
E além do trio, o que você anda fazendo?
Hoje o trio continua estudando. Fizemos nove anos com mesmos integrantes e eu, vinte de bateria. E estamos terminando as composições do nosso quarto CD, que será de musicas próprias. Esperamos este tempo todo pois achamos que ainda precisávamos amadurecer musicalmente para gravar composições nossas com a cara e o estilo que temos em nossa mente e com certeza agora este momento chegou. Continuamos nosso trabalho didático no Instituto Musical Bittencourt, dando aulas e cursos para alunos de diversas regiões e pela internet também. Fechei outro endorsee importantíssimo para mim, que é com os pratos Istambul, completando uma parceria sonora maravilhosa que já tenho com a Gretsch. E não esquecendo da Drum Practice Pads, que auxilia muito em viagens e nos meus estudos diários.
Aproveito para deixar uma dica sobre técnica que acho importantíssima. Nosso instrumento esta evoluindo a cada momento e temos que evoluir também. Uma coisa que vem me chamando a atenção é a facilidade técnica que foi se espalhando pela nossa classe. Hoje não há lugar em que não se conheçam os aspectos básicos: paradiddle, rulo simple, duplo, etc. Mas se está deixando de lado um outro aspecto que faz total diferença no som do musico: a interpretação musical. O que esta por trás da energia que usamos para dar uma baquetada no prato? Que emoção estamos transmitindo? Comparo nós, músicos, a atores. Quando só estudamos nossa técnica de funcionalidade do instrumento, ficamos como um ator que só decora o texto e não se sabe que emoção ele está tentando passar, se amor, ódio, raiva... Vamos, sim, entrar em contato com a música em um plano mais profundo, não viajando e fazendo caretas só, mas entendendo e nos conhecendo melhor, para que seja uma música rica tanto em técnica quanto em sentimentos.
E como anda a cena em Cruzeiro? E as perspectivas do jazz no interior?
Não temos o que reclamar. Finalizamos o ano de 2009 com mais de 146 shows realizados. Isso talvez ajude a responder uma clássica questão sobre a possibilidade de existir vida musical no interior. Não é tão fácil realizar, depende de muitas questões, desde localização geográfica (isto é, onde fica o "interior" de cada um) e da força de trabalho necessária para as realizações. No nosso caso, minha cidade (Cruzeiro), no interior de São Paulo, e bem no meio do caminho entre as cidades do Rio e São Paulo. Isso com certeza colabora para fazermos shows nestas duas importantes cidades, uma viagem que dura duas horas e meia gastas apenas em engarrafamentos dentro da capital [risos]. Isso além de apresentações em nossa cidade e cidades vizinhas, onde passo a passo vamos desenvolvendo um cultura específica sobre música instrumental e alimentando ideais de jovens que vão nos ajudando a cavar trabalhos, convencendo os empresários e a população da existência de outro tipo de música além de forró, sertanejo, rock e etc. Mas este é apenas um dos critérios. A disposição para fazer contatos via internet e pessoalmente também é fundamental, além de muito estudo e dedicação e estar ligado em tudo que acontece no mundo musical.
Outra boa dica: tem muita gente olhando só pro próprio umbigo e para os umbigos de seus ídolos, deixando de lado toda relação comercial necessária para se fazer um show que "de certo" em nosso país. Vamos prestar mais atenção aos aspectos gerais. Não podemos ficar só sonhando! Temos que subir, degrau por degrau, e reclamar não ajuda nada! Organize sua carreira sempre com os pés no chão e siga em frente, que logo você estará tocando no lugar que deseja.
Quem quiser saber mais só entrar em contato pelo e-mail: juliobittencourttrio@hotmail.com .
http://www.myspace.com/juliobittencourttrio