A realidade do músico independente


Ele é formado pelo EM&T e bacharelado em instrumento pela FAAM. Viveu momentos de pura fascinação pela música: “a música me enlouqueceu! Tomei gosto por música eletrônica e pirava em discos de jazz. Por conseqüência disto resolvi fazer uma faculdade de música”, ele conta. Mas ele também é especialista em áudio, trabalha com Pro-Tools e já atuou como técnico de áudio. Nesse equilíbrio entre as partes artística e técnica da música é que Mike constrói sua carreira, tocando com sua banda Líris e desenvolvendo produtos com a Staff Drum.

Fale de sua banda Líris. Como anda o trabalho? Apesar da abertura que a música independente vive, como está a luta por um lugar ao sol?
A luta de uma banda independente é dura, exige muita dedicação e sacrifícios. Infelizmente, o cenário comercial da música mundial está meio confuso, nebuloso. Cada vez mais as bandas precisam se adaptar e fazer os "corres" sozinhas. Porém, este cenário não é o pior dos males, pois democratiza a indústria fonográfica. Quem souber lidar com aera do pós-mídia e ser criativo em seu trabalho terá, com toda certeza, seu lugar ao sol. A Líris não é diferente da maioria das bandas e também pertence a esta realidade. É ensaio, produção, gravação, shows, tudo independente. No entanto, após o lançamento do nosso primeiro trabalho autoral, em maio de 2008, fizemos muitos shows, divulgação em mídia e tentamos, na medida do possível, conseguir o maior espaço possível na internet, mídias especializadas, etc. O problema é que, depois de um tempo nessa loucura de fazer tudo independente, há um desgaste natural, pois percebemos que sem grana você não conseguirá competir com as gravadoras majors que, ainda, são responsáveis pelo que rola no mercado main-stream. Por causa disso, decidimos continuar com as nossas produções independentes e levar o barco até onde der. Estamos produzindo um álbum novo que, provavelmente, será lançado no final de 2010. Até lá continuaremos divulgando nosso material e indo atrás do que é possível ir atrás.

A recente crise econômica influenciou o processo de lançar um trabalho independente?
Diretamente não, até porque lançamos nosso álbum antes do início da crise. Porém, de certa forma, a crise pode ter dificultado a divulgação. Quando se está sem dinheiro, o primeiro item a se cortar do orçamento é o entretenimento. Mas, para falar bem a verdade, nós não sentimos que a crise econômica nos afetou. O único empecilho, neste período, foi comprar equipamentos que beneficiariam os shows ou nossas produções. Mesmo peças de reposição necessárias para a manutenção dos nossos instrumentos ficaram em falta por algum tempo. Isto não deixa de ser algo que prejudicou o trabalho.

Quais outros trabalhos você vem desenvolvendo?
Sou professor de música, estou produzindo meu álbum solo – o primeiro – e estou finalizando um livro sobre tecnologia musical e música eletrônica para bateristas, um trabalho que iniciei na faculdade e agora está tomando forma. Além disso, faço workshops sobre música e tecnologia nos quais, também, apresento os produtos dos meus endorsees: Staff Drum, Octagon, Le Son, Hellocases e Batera Clube.

Você também é desenvolvedor de produtos da Staff Drum. Como é esse trabalho?
Esse é um dos trabalhos mais legais do mundo! Apesar de que o processo de pesquisar e projetar equipamentos é super complicado. Na certa, você nunca irá agradar todo mundo.
Nos projetos, normalmente, dou algumas idéias ou falo sobre os problemas técnicos, dos bateristas, com os engenheiros da Staff. Eles tomam essas informações como base para projetar o restante do equipamento. Quando penso em alguma coisa, levo muito em consideração as reclamações dos consumidores e de outros instrumentistas. Claro que também considero minhas experiências e necessidades do dia-a-dia de músico. A diferença deste trabalho é a exigência de conhecimento e noções básicas de acústica, áudio e elétrica. Caso contrário é fácil se perder no meio de tantas informações.

Você acredita que o músico precisa buscar trabalhos paralelos para se manter, e para manter sua arte?
Acredito que é possível viver de música no Brasil. Como qualquer outra profissão, é claro que existem dificuldades, porém quem quer consegue. É logico, dificilmente a maioria dos músicos serão ricos, pela própria realidade da profissão, mas tenho certeza que colocam muita paixão naquilo que fazem. Agora, manter a própria arte é complicado. Produzir um álbum não é das coisas mais baratas e exige investimento para divulgação. Caso você não consiga um patrocínio, uma gravadora ou investidor, será necessário trabalhar para sustentar sua própria arte. De repente, o trabalho com a música já seja o suficiente para sustentar a própria arte mas, dependendo da ambição, será necessário mais dinheiro. Neste caso a única saída é procurar trabalhos paralelos. Não tem jeito.




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