Tema principal


A música não tem fronteiras, nem geográficas, nem estilísticas. O baterista Victor Marcellus, de Campinas (SP), sabe disso e transita com versatilidade por vários estilos, da música brasileira ao rock progressivo. Agora ele lança seu primeiro álbum solo, “Leit Motiv” (Tema Principal, em alemão), abraçando todos os estilos e quebrando as barreiras. Seu otimismo para com o futuro da música instrumental e sua dedicação são exemplares.

Você está lançando seu primeiro álbum solo, “Leit Motiv”. Como foi a concepção do trabalho?
A concepção do álbum veio de forma bem natural. A idéia inicial, no final de 2005, era fazer um disco instrumental deixando registrado minhas idéias e conceitos musicais vividos até aquele momento, e também experimentar novas fusões que nunca havia usado antes em qualquer outro trabalho. Toquei muitos anos na noite paulista, me apresentando com grupos das mais variadas vertentes. Na mesma semana me apresentava com uma banda de rock’n’roll em um dia, acompanhava uma cantora de jazz ou bossa na noite seguinte e me preparava para, algumas horas depois, subir ao palco com uma banda groove e black-music. Como não poderia ser diferente, procurei deixar impresso em meu CD minha personalidade musical formada através da mistura de todos esses estilos. Nunca fui e nem pretendo ser um baterista purista. O que me empolga é justamente a liberdade de se expressar da forma que quiser, não seguindo nenhum padrão pré-estabelecido. Acredito que isso faz de você um músico com personalidade formada e com capacidade de deixar sua impressão digital em cada trabalho que participa.

Você diz que a produção do álbum foi concebida nos moldes dos anos 70 e 80, usando instrumentos analógicos. Por que tomou essa decisão? A diferença é realmente significativa?
Sempre tive uma grande admiração e influência da sonoridade dos anos 70 e 80. Nasci em um ambiente muito musical, sou de uma família de músicos profissionais. Meu pai, Jorge Cury Jr., era pianista e meu avô, Jorge Cury, trumpetista de orquestra (big bands). Por influência de meu pai, cresci escutando discos de jazz, jazz-rock, funk, rock-progressivo, fusion e bastante música brasileira. E, como qualquer pessoa com mais de 25 anos, tive contato com os filmes e seriados dos anos 70 e inicio dos 80 que passavam na TV. Gosto muito das trilhas sonoras de filmes policiais e de suspense dessa época. Escolhi vários instrumentos analógicos de época, como sintetizadores monofônicos, orgão Hammond, Clavinet, piano Rhodes, guitarras semi-acústicas e muitos efeitos de época, como phase analógico, reverb de mola, delays de fita, amplificadores e prés valvulados, além de uma mesa Amek-neve "vintage", muito dificil de encontrar mesmo nos maiores estúdios. O CD foi concebido de forma bem artesanal. Tudo que se escuta foi realmente tocado e gravado dentro do estúdio. Os únicos samples que usei foram alguns efeitos e vozes indígenas da faixa "Tupinanbá". Fiquei contente com o resultado final e acredito que, em meio a tanta tecnologia que temos hoje, sendo usada em prol da música "enlatada", que tocam nas rádios e TVs, a tendência é a volta à moda antiga.

Quais suas perspectivas sobre o meio musical instrumental fora dos grandes centros?
Apesar de encontrar bastante dificuldade, tenho uma visão otimista para o futuro próximo. Além de meu álbum, participo do lançamento de mais dois CDs instrumentais. Com o guitarrista Beto Kobayashi, estamos lançando o álbum "Sal e açúcar", e com o pianista Albano Sales o álbum "Retrato Brasileiro". Os shows estão sendo apresentados em livrarias, escolas de musica e outros projetos culturais em São Paulo e cidades do interior, como Campinas. O público tem recebido de forma muito calorosa, como se estivesse assistindo um show de uma banda pop. A música instrumental no final dos anos 90 e início de 2000 entrou em drástica decadência. Hoje percebo que muitas pessoas recebem a música instrumental como algo "cult", intelectualizado, como um bom filme que você tem que prestar atenção para compreender. Aos poucos, está perdendo o esteriótipo de "música de/para velhos". Está à disposição de todos a internet, que é um recurso precioso para a divulgação.

Fale do equipamento que usou nas gravações.
Na gravação do "Leit Motiv" usei basicamente o seguinte setup: bateria Premier XPK com toms de 8”, 10” e 12”, surdo de 16”, bumbo de 22” e caixas de 14” e 12”, de madeira e metal. Usei também rotontons de 6”, 8” e 10”, além de muitos instrumentos de percussão e efeitos. Para a maioria das músicas usei peles revestidas Ambassador Remo, nos tons e surdo, e Genera Evans, na caixa, e Pinstripe Remo no bumbo. Usei um set hibrido de pratos: os chimbais foram um Zildjian Avedis Quick Beat de 14” e um Zildjian New Beat de 14”; os conduções foram um Zildjian Avedis Ping Ride de 20” e um Zildjian K Custom Dark de 20”; ataques e splashes conforme segue: Paiste Alpha Thin Crash de 16”, Paiste New Formula de 18”, Sabian HH Thin Crash de 15”, Wuhan de 14” e um splash Sabian AAX de 10”.

Saiba mais sobre Victor Marcellus e conheça o álbum “Leit Motiv” acessando o site dele: http://www.myspace.com/victormarcelluscury




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