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A exemplo dos grandes sideman que a música brasileira conhece, Rodrigo Thurler não desvia de trabalho nenhum. Tudo que houver pela frente, ele toca, sempre aplicando sua musicalidade e todo o suingue aprendido com Lauro Lellis. Hoje tem trabalhado de quarta a sábado sem parar, além de sempre fazer alguma coisa aqui e ali e ter tempo de dar aulas no Centro Musical Morumbi, onde se formou. El fala sobre seus trabalhos e seu curso sobre os rudimentos.
Você toca nas bandas de Francine Missaka e Olívia Tabet, que atuam em áreas bem diferentes. O que cada trabalho exige de você, e como se adaptar a cada um deles?
Realmente são projetos completamente diferentes. No trabalho da Francine basicamente o repertório é formado por R&B, funk e disco, com alguma influência de hip-hop e, às vezes, uma navegada pelo samba-rock. A Francine, além de ser muito versátil, é uma das melhores cantoras que já conhecí, e é dona de uma presença de palco incrível. As características importantes nesse projeto são a atenção na cantora todo o tempo, pois existe muito improviso e a banda fica dependendo do baterista para conduzir as mudanças de andamento e de estruturas que ocorrem. A banda dela é incrível! Conta com Rodolfo Inodue no baixo, Léo Harú na guitarra e Vitor Alves nos teclados.
No trabalho com a Olívia as características mais marcantes são as texturas completamente diferentes que ocorrem durante o set, e às vezes até na mesma música. O som da Olívia é único e exige uma dedicação intensa nos arranjos para os shows, que diferem muito do CD. As letras são fortes, com bases impactantes e vocal suave. As composições são marcantes e existe uma fusão de bateria acústica e bases eletrônicas. Nesse show utilizo vassouras, baquetas de feltro, acústicas (rod sticks) e a maior preocupação é fazer as levadas acústicas e os loops soarem de maneira natural. A banda é formada por Gustavo Baralho no baixo e Marcos Tibo na guitarra, e eu sou muito fã desses caras. Já trabalhamos juntos em outros projetos.
Você também toca muito rock, com as bandas Acullia e PullDown. Como são esses trabalhos?
A banda Acullia existe há dez anos, então tem muita história. Vou resumir tudo aos projetos atuais. Fazemos festas em São Paulo e recebemos amigos para participações especias. Elas acontecem no Na Mata Café e no W Bar. O show é formado por clássicos do rock e, entre os amigos que sempre comparecem, estão Saulo Vasconcelos (cantor que atuou no musical O Fantásma da Ópera) e as bandas Fresno, Sugar Kane, 9 Mil Anjos... O site da banda é www.acullia.com.br, vale a pena conhecer.
A Pull Down é uma banda gaúcha que se reformulou. Faço parte da nova formação e estou ansioso para tocar ao vivo. Está tudo ensaiado e pronto para a turnê do novo álbum “Valor às Coisas Certas”.
De uma forma geral, como avalia sua experiência como sideman? É um caminho difícil de ser trilhado pelos músicos contemporâneos?
Eu gosto muito desse tipo de trabalho. É necessário que você pesquise e navegue em estilos completamente diferentes. O desafio de se adaptar a composições distintas me fascina muito. Nestes projetos aprendi muita coisa, inclusive a me organizar com relação a horários mais rígidos e a me relacionar profissionalmente com uma variedade muito grande de pessoas. É necessário, além de chegar com tudo pronto, estar com a cabeça aberta para ouvir opniões de produtores e arranjadores. A cada experiência você leva algum conhecimento novo para a sua bagagem.
E sua banda Fuga da Lula, o quê está fazendo agora?
A Fuga da Lula está com um vocalista novo e em breve lançará músicas novas, clipes e sons no MySpace [www.myspace.com/fugadalula].
Você ministra um curso de rudimentos no Centro Musical Morumbi. Como é o curso e como você aborda o estudo dos rudimentos?
Gosto muito de ministrar essas aulas! A evolução dos alunos é muito rápida. Abordo seis rudimentos por aula e tenho anotado o andamento que cada aluno faz cada exercício. Assim, eu e os alunos temos controle completo da evolução, além de ser uma motivação maior. O curso serve tanto para alunos dedicados na área, para se manterem atualizados, quanto para alunos que não tem tempo de estudar sozinhos. Nesse caso, é como se eu fosse um “personal trainer” deles, cobrando dedicação durante o período da aula. Tenho duas turmas, uma apenas com alunos profissionais e outra variada, com iniciantes e profissionais na mesma sala. Uma acontece às terças, a outra às quintas. Para mais informações e inscrições, liguem no Centro Musical Morumbi (11) 3721-4371.
Há uma dúvida recorrente entre os estudantes de bateria sobre a aplicação dos rudimentos. Como devemos estudar para aplicar? Como pensar neles para aplicar na bateria?
Quando o estudante pratica os rudimentos insistentemente, começa a desenvolver uma técnica que vai auxiliá-lo em tudo: andamento, precisão e clareza das notas e grooves mais firmes. Outra maneira de praticar é abordar os rudimentos nos tambores, alternando com levadas. Isso serve para tornar a utilização natural na hora de executar com a banda, numa situação musical. E sempre estudar com o click!