O “Personal Drummer”


É preciso admitir: a realidade brasileira exige que o músico dê aulas. Mas, ao mesmo tempo, isso nos permite ter professores apaixonados e absolutamente dedicados a fazer seus alunos se tornarem músicos de fato. Este é o caso de Eder Luis, baterista e professor de Guarulhos (SP), que observou que a internet poderia ajudar seus alunos a se desenvolver mais e criou o que chama de “personal drummer”. Segundo ele, os alunos podem se familializar com o assunto da próxima aula ainda em casa e, depois, tirar dúvidas e manterem a motivação para estudar.

Qual é o conceito do “personal drummer”?
O conceito foi se desenvolvendo naturalmente, durante os sete anos que venho me relacionando com os alunos. Percebi que a maioria deles não se desenvolve com tanta facilidade e carecem de suporte contínuo, ou seja, revisar uma aula é tão provável quanto termos uma próxima aula. Por isso, criei um método flexível para que todos, sem exceção, possam compreender e tocar os exercícios. O conceito nasceu porque percebi que muitas dessas aulas o aluno poderia estudar sozinho em casa, mas não o faz. Somente consegue desenvolver o assunto quando em sala de aula, quando estou dando suporte.

Qual seu objetivo ao disponibilizar este material na internet?
Sem dúvida a internet é hoje o meio de comunicação mais usado no mundo. Eu quis unir dois pontos fundamentais: a informação de qualidade e o fácil acesso. Estudei um método, certa vez, que em uma das páginas tinham três datas diferentes a cada xerox tirada, com um intervalo de cinco a dez anos de uma para outra. Isso é sinal de que não existia material na época. Hoje isso não é mais problema. Entretanto, isso tem outro lado que faz mal, porque em pouco tempo os bateras de hoje sabem de tudo, porém não tem procurado aproveitar ao máximo o material que o chega em suas mãos. Com essa ótica, procurei criar um material que parta desde do início do estudo até um ponto interessante, onde o aluno pode criar uma opinião própria mais estruturada sobre o instrumento.

Como as pessoas reagem ao entender seu trabalho? Já houve quem dissesse que você está “destruindo” o trabalho de professor de bateria?
O trabalho tem uma receptividade muito boa, muitos bateristas tem me enviado e-mails e scraps agradecendo por eu ter contribuído para sua formação. Minha intenção não é destruir o trabalho do professor, além do que também sou um e estaria dando um tiro no próprio pé. Tenho alunos que assistem às aulas na internet antes da aula e, chegando lá, apenas tiram as dúvidas e ficam a semana inteira repassando a aula, como se eu estivesse lá como seu personal drummer. Para contribuir com essa questão, percebi que o material na internet sempre exigirá a presença de um professor, e criei recentemente um Núcleo de Ensino de Bateria em Guarulhos (SP), onde a minha equipe de professores esclarece ainda mais a metodologia.

Fale um pouco sobre sua formação como músico e sua carreira.
Comecei a tocar com treze anos de idade, na igreja. Quando tinha dezoito, estudei com Alexandre Aposan, hoje batera do Oficina G3, e dois anos depois estudei no Núcleo de Ensino de Percussão e Bateria RITMUS, onde tive aulas com Mauricio Leite, Sérgio Gomes, Lauro Lellis e Giba Favery. Foi um período de grande aprendizado. Em Guarulhos comecei a tocar com um quinteto instrumental chamado Feijão de Corda [http://www.myspace.com/grupofeijaodecorda] que, em 2001, participou do Cascavel Jazz Festival, no Paraná. Desde então acompanho diversos artistas, principalmente aqui em Guarulhos.

Hoje você está tocando com algum grupo?
Acompanho o guitarrista Armando Leite em workshops e shows, e estou com um novo projeto, que é bem diferente de todos que já participei. Sempre toquei música instrumental e agora, nessa nova fase, estou com o MDOC, com uma proposta pop. Estamos lançando o clipe de nossa música de trabalho "Ao acaso" e divulgando o trabalho em casas do ramo em Guarulhos (SP).

A internet é o meio para divulgações da nossa era. O que você vislumbra no futuro do ensino musical através da internet?
Acredito que a internet seja o meio de divulgação da nossa era, mas não acredito que será o meio de ensino musical mais eficaz. Podemos apenas dar aula pela internet, enquanto em uma sala de aula temos a oportunidade de ensinar.

O blog de Eder Luis pode ser acessado clicando aqui, e seu canal no YouTube, aqui.

 


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