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Cristiano Lucas atua com muitos trabalhos. Já tocou em bandas de baile, atua como sideman em São Paulo e agora está iniciando um forte trabalho de professor no Centro de Orientação Musical, a escola de Alaor Neves, que foi seu professor por muito tempo e continua sendo seu orientador. Ele começa uma nova fase como professor e administrador, sem abandonar seus projetos, como a banda Telefunk.
Como você foi chamado a assumir o Centro de Orientação Musical, a escola de Alaor Neves?
É incrível como sempre aprendo no Centro de Orientação Musical (www.comonline.com.br). Cá estou novamente, aprendendo a administrar... Sou baterista há 16 anos. Há oito anos, recém chegado a São Paulo, sem conhecer nada nem ninguém, bati na porta de uma escola em busca de contato, sem saber que se tratava da escola do Alaor Neves. Quando alguém atendeu, era o próprio Alaor me abrindo uma enorme porta para a vida toda.
Dalí a diante me tornei aluno, amigo e, mesmo depois de parar com as aulas de bateria, vivia em contato. Sempre que podia dar umas escapadas entre um trabalho e outro, corria para o C.O.M. e encontrava as respostas para melhorar meu desempenho profissional e também pessoal. Sempre me intrigou esse tipo de proximidade que os alunos tem com a escola e, quando resolvi entender mais sobre isso, me vi envolvido com filosofias de vida e didática muito singulares. Meu interesse em dar aulas teve inicio neste ponto, ao tentar desvendar isso.
Tenho um forte em organizar, criar e coodenar. Perdi as contas de quantas vezes fiz isso com bandas e projetos e, por outro lado, o Alaor, com a vida a 1000 por hora, precisava de um braço direito. Percebi que podia somar e por isso resolvi propor para a Renata Maciel, responsável pela administração da escola, uma parceria.
Assumi parte da direção do C.O.M. em Março de 2009, além das aulas, e hoje estamos entrando na segunda fase da reformulação geral, que consiste em criar um método conceitual que possa unir boa parte das informações adquirida por todos os professores e nos 30 anos de experiência e vivência didática do Alaor.
Nesta segunda fase também estamos retomando projetos como a Orquestra de Bateria “Toca Tambor”, “Os bateristas estão chegando” (apresentações de grande sucesso em anos anteriores, com bateristas importantes e produzidos pelo C.O.M.), além de workshops, Máster Classes e parcerias.
Hoje somos três professores de bateria no C.O.M. Eu, Alaor Neves e Xande Tamietti (da banda mineira Pato-Fu).
Qual o conceito do método que vocês estão desenvolvendo?
O foco é a educação com base na música. Recebi uma educação com base na música, por ser filho de músicos e por ter dado a sorte de encontrar professores que levam isso a sério. Gostariamos que todos os nossos alunos tivessem contato com este conceito.
Os métodos serão compilações de exercícios que entendemos ser necessários aos alunos em sua vivência musical cotidiana. São exercícios já presente no mercado há anos, mas com uma visão nova, de aprendizado modular e gradativo, a fim de fazer com que o aluno caminhe com suas próprias pernas ao fim do estágio. Ou seja, certamente temos tudo que é necessário e já experimentado no mercado há anos e temos a nossa visão sobre o que realmente é funcional ou não em métodos de grandes mestres e aplicados em institutos como Berklee ou P.I.T. Estamos captando todos estes anos de ensino e adaptando à essência do C.O.M.
Quando digo que estamos adaptando tudo isso ao C.O.M. me refiro ao grande diferencial da escola na formação de cada aluno, que não é apenas formar um músico técnico, e sim uma formação músico/pessoa, que tenha como princípios a disciplina, o caráter e o profissionalismo.
Lembrando que o C.O.M. não é uma escola apenas de bateria. Há cursos de diversos intrumentos e esta didática será aplicada a todos os cursos.
Você tem um novo projeto, certo? Que projeto é esse? O que vocês tocam? Quem participa?
Reencontrei alguns velhos amigos, o Edu Gavazzi (guitarrista) e o Alexandre Lima (baixista e produtor), e estamos preparando o Telefunk – Retro Hits. O Alexandre esta encabeçando a produção musical e o Edu é responsável pela produção executiva. Será uma banda grande, com os vocalistas Natasha Nappo e Vinicius Cedotti. Ambos tem trabalhos próprios muito interessantes e trabalham com bandas de baile. Teremos um trio de metais com os músicos João Villi Dresher (trompete) e Giva Mendonça (Sax) e um trombonista, todos trabalham com a cantora Jake (Axé). Tiago Mineiro será responsável pelos teclados. Ele acompanha músicos como o guitarrista Lanny Gordin, o baixista Nilton Wood, o baterista suíço Urs Wittwer e o pianista Wilson Curia.
A banda é uma viagem de volta ao tempo. Fará um resgate da música negra da década de 70. Coisas como Marvin Gaye, Earth, Wind & Fire, Stevie Wonder, e os mais novos também, que remetem há esta década, como Jamiroquai, Joss Stone, Maroon 5. Estamos terminando a fase burocrática e iniciando os ensaios. Vamos estrear este trabalho dentro de dois meses.
Fale sobre suas recentes atuações como sideman.
Neste ano totalmente voltado à educação musical tive poucas oportunidades de atuar como side man. Mas gosto muito de viver experiências diferentes a cada instante com bandas de diversos estilos. Assim que pintar a próxima vou correndo [risos].
Tive o prazer de trabalhar com a banda Mestre Duca (www.mestreduca.com.br) entre os meses de dezembro de 2008 e fevereiro de 2009. Esta banda, que estava sem seu baterista oficial por motivos profissionais, tem excelentes músicos, uma produção impecável e está entre minhas prediletas. Eles estão conseguindo “atravessar a ponte”, um estágio de transição árduo. Em alguns shows precisam voltar à noite, cansados, dirigindo sua van por mais de 100 km, e no outro dia tem casa lotada com hotel e tietes. É muito louco tudo isso... Eles são uma família e eu torço muito por eles.
No segundo semestre de 2008 trabalhei com a Banda Balacabala (www.balacabala.com.br). Produzido pelo Sergio Dias (dos Mutantes), a proposta é um som experimental com base em ritmos brasileiros, jazz e uma mistura louca de timbres eletrônicos e imagens. Esta banda é totalmente articulável e se encaixava em qualquer evento que você possa imaginar.
Tocamos desde a I Mostra de Cinema Sem Som na Cinemateca em São Paulo (tocando ao vivo durante as projeções dos filmes), nos Improvisos de Música e Dança no Centro Cultural São Paulo durante um mês inteiro e em turnê por Minas Gerais e interior de São Paulo. Foi muito bom.
Saiba mais: www.myspace.com/crislucas