Democracia baterística

por Leandro Nô


O Encontro de Bateras surgiu de uma vontade que sempre tive de reunir pessoas que gostam da mesma coisa. Como nunca fui de ficar observando as coisas acontecerem, resolvi agir. Muitos anos atráz, em Vitória (ES), nos reuniamos na frente do estúdio de um amigo para tocar tambor em volta de uma foqueira. Já era um encontro “roots”.

 

Alguns anos depois, quando comecei a fazer projetos no Hangar 110, já em São Paulo, me surgiu a idéia de tentar usar o espaço. Expliquei a situação para a casa e tentamos um primeiro Encontro, em que foi cobrado ingresso. Mas não fazia sentido pagar para ver bateristas tocarem ou conversarem. Vimos que tinha que ser entrada franca mesmo, e passou a ser assim. Depois disso, várias pessoas que conhecem ou são da banda dos bateristas (sem falar nas namoradas), acompanham e curtem a batucada. É basicamente isso: uma batucada.

 

Quem quiser pode levar sua bateria, ou não. Depende de você. E pessoas com ou sem baterias são bem vindas da mesma forma. É um dia e um lugar em que as pessoas se encontram, conversam e tocam juntas. “De grátis”! Democracia total. Todos iguais e no chão, lado a lado. Rolam uns playalongs de vez em quando, e vídeos atuais no telão.

 

O Encontro acontece assim: sempre há um grande solo coletivo no começo (e em breve colocaremos uma banda): todos tocando a mesma música, como se fosse um show em que a platéia é formada por bateristas e também participa, com set list e tudo mais. E sempre há sorteios para os bateras presentes. Ninguém sai de mão abanando. Os apoios ajudam muito. Ano que vem coisas boas serão sorteadas, inclusive uma bateria. Caixas, peles e pratos também entram na lista.

 

Em todos os encontros, até agora, sempre tivemos mais de 10 bateristas presentes. Penso que não estão indo mais pessoas por não estarem sabendo. E há uma parcela de preguiça, é claro, o que é ridículo. O Encontro rola uma vez por mês e vários arrumam desculpas esfarrapadas. Tem uns outros que, para compensar, vêm de Campinas (de ônibus de linha). De São Caetano. De Interlagos.

 

E estamos sempre pensando em novidades. No Encontro de Dezembro, dia 17, vai rolar a Exposição Pratarte. Sete artistas plásticos pintaram suas obras em 35 pratos de bateria, e estarão todos expostos no dia do Encontro, para todos verem. Democraticamente. Duvido que quem toca não ia querer um em casa, enfeitando. Apareçam e confiram.

 

Como baterista que sou, tudo sobre bateria me interessa. Quero compartilhar isso com mais pessoas que também se interessem. Informação não pode ser guardada, tem que ser compartilhada. Cultura musical e baterística para todos. Inclusive, penso que toda cidade deve ter o seu Encontro. Dia 20 vou para Cabo Frio, no Rio de Janeiro, para agitar o começo do Encontro deles. Se em cada cidade um batera tiver essa iniciativa a coisa fica bonita. É bom para a música. É bom para os bateras. É bom para o mercado. É bom para todos. Fortalece. Democratiza. E é disso que prescisamos.

 

Você gostou da idéia e quer levar o Encontro de Bateras para a sua cidade? Entre em contato: no@hellno.com.br

 

Vídeos:

 

 

 

Leandro Nô é baterista, professor particular e da escola Bateras Beat, e dirige o Hellno Studio. Já tocou com Dead Fish e hoje atua com o quarteto de baterias Beat Brothers. www.hellno.com.br


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