
por Douglas Las Casas
É com imensa tristeza que venho escrever essas palavras sobre Jim Chapin. Quando a ficha caiu sobre seu falecimento percebi que perdemos um dos grandes educadores e pesquisadores da bateria mundial.
Quando conheci Jim, me apresentei e disse que também tocava bateria. Sem dizer nada, ele colocou uma baqueta em minha mão esquerda e disse “Toque, quero ver!”. A partir do momento em que montei a traditional grip e fiz os três toques: Down, Tap e Up, e repeti, Jim sorriu e me tratou como se me conhecesse há 10 anos: “Onde você aprendeu isso?” E foi assim que o papo começou.
Assim era Jim, um eterno apaixonado pela mundo da bateria, pelos seus aprendizes, questionadores e por qualquer um que se interessasse um pouco sobre o assunto. Uma generosidade sem fim, tratava do aluno iniciante ao mais top sempre do mesmo jeito, sempre com um par de baquetas nas mãos e sempre falando de Moeller, Economia de Movimentos, Traditional Grip, Downs, Taps e Ups.
Você não o veria sem suas baquetas e seu pad. Sua filosofia de vida se resumia em passar adiante suas técnicas, como ele sempre dizia:
“Se não passar o que sei agora, o que farei com isso quando morrer?”
“Não guarde o que sabe, pois passar o que se sabe também é um grande aprendizado.”
“Preciso que você entenda não o movimento, mas sim o pensamento do movimento que estou fazendo, me compreende?”
“Se você souber usar a técnica certa, com a força certa, com o movimento certo, chegará, como eu, em plena terceira idade sem nenhuma lesão.”
“Pratique o tempo todo em que seus olhos estiverem abertos, só assim escreverá sua história no meio musical.”
Quero deixar claro que Jim nunca me cobrou absolutamente nada em termos de valores. Mostrava suas técnicas por mero prazer e satisfação. A satisfação em passar adiante suas pesquisas, que levaram anos para serem desenvolvidas.
Assim era ele, um grande amante do instrumento, das pessoas e das técnicas perfeitas. Um perfeccionista que não deixava nada passar desapercebido por seus olhos.
A última vez que o encontrei, foi na NAMM Show, em Los Angeles, janeiro de 2009. Ao me ver, ele disse:
“Deixe-me ver sua bolsa e suas mãos.”
Ao abrir minha bolsa, ele viu de cara um par de baquetas, riu e disse:
“Muito bem, somos neuróticos!”
Tirou-as da bolsa, me entregou e falou:
“Deixe-me ver suas mãos novamente. Toque!”
Toquei no pad que estava em seu colo e ele, sorrindo com uma cara de malandro, disparou:
“Hum, seu Traditional está muito bom, mas seu ‘Tap’ está um pouco alto. Volte a estudar!”
Me olhou nos olhos, deu um tapinha no meu rosto, sorriu com aquela cara de malandro, virou a cadeira de rodas e foi embora. Foram as ultimas palavras que ouvi de Jim.
Infelizmente, seus olhos se fecharam pra sempre, e Jim se torna essa lenda pro mundo das baquetas. Suas palavras e seus estudos estão eternizados em minha memória. São estudos que levarei para o resto da vida.
O que esse pesquisador fez pela bateria moderna foi algo inacreditável.
Fique com Deus Jim, que suas baquetas descansem em paz, já que em vida elas nunca paravam!
Las Casas