Entrevista
Mike Portnoy
Diversidade musical
15/05/2012
Por Cristiano Lucas
Fotos: Fernanda Lira
Quando Mike Portnoy saiu do Dream Theater em 2010, ninguém entendeu muito bem o que ele estava fazendo. Afinal, ele sentava todas as noites no banquinho em que muitos bateristas gostariam de estar. Desde então, Mike vem tocando em muitos projetos e realizando muitas coisas que não poderia fazer no Dream Theater. Por exemplo, substituir Bobby Jarzombek no Fates Warning, abrindo o show da turnê de 30 anos do Queensryche aqui no Brasil. Mas essa foi só a situação na qual conseguimos conversar com o baterista, que está em duas bandas que acabam de lançar álbuns, o Adrenaline Mob e o Flying Colours, e mantém projetos com Billy Sheehan, Ritchie Kotzen, Tony McAlpine e Dereck Sherinian. Conversando com obaterista.com, ele falou dessa diversidade musical que busca e que, finalmente, alcançou.
A nossa conversa aconteceu no backstage do HSBC Music Hall, horas antes do show da turnê comemorativa de trinta anos do Qüeensryche, que teve como show de abertura o Fates Warning. Desde a saída de Mark Zonder da banda, o baterista oficial é Bob Jarzombek. Mas Bob é também o baterista da banda de Sebastian Bach, que tocava na mesma noite. “Então o Fates Warning precisaria de um baterista e, como eu estava disponível, aqui estou”, diz Mike. “Acho que esta é a quinta banda com a qual toco no Brasil. Sou muito amigo dos caras do Fates Warning. Nos conhecemos há mais de vinte e cinco anos e temos uma longa história juntos. Eles já saíram em turnê com o Dream Theater algumas vezes ao longo dos anos e até toquei em um show do Fates Warning em 2005, na Holanda”.
Claro que entrar na gig não é simples, mas Mike já gostava do som do Fates Warning há muito tempo. “Adoro todas as músicas. Mark Zonder é um baterista espetacular. Ensaiamos na noite anterior ao show e, como Mark Zonder tem um estilo muito particular e muitas nuances, várias partes muito detalhadas de Mark eu toco com uma pegada mais rock, mais metal e mais direta. Mas só porque é para uma única apresentação. Estou fazendo um monte de trabalhos diferentes, com um monte de bandas diferentes, toquei em quatro bandas nas últimas duas semanas e por isso a minha cabeça está quase explodindo com tanta informação. Para ser honesto eu aprendi as músicas e suas estruturas ouvindo e no ensaio de ontem, mas não vou ser capaz de captar todos os detalhes de Zonder. Então o que estou fazendo é um tipo de versão ‘Mike Portnoy’ das músicas do Fates Warning”.
O kit de Mike também mudou. Ele usou para este show uma bateria semelhante ao que usava com o Avenged Sevenfold em 2010, mas bem menor que aqueles que costumava usar com o Dream Theater. “É um kit tradicional com dois bumbos, três tons, dois surdos e vários pratos”.
Dos vários projetos em que Mike está envolvido recentemente, há dois pelos quais ele tem certo carinho, o Adrenalin Mob e o Flying Colours, que acabam de lançar álbuns. “O Adrenaline Mob é o lado mais metal de tudo que estou fazendo hoje em dia. Já o Flying Colours tem um lado mais Pop/Prog. São completamente diferentes entre si, mas nenhum deles contém o Progressivo (referindo-se ao DT). Toquei isso por tanto, mas tanto tempo, que quero fazer outras coisas agora. O Adrenaline Mob sou eu, Russel Allen, Mike Orlando e John Moyer. Estamos cheios de metal na veia assim como Pantera, Black Label Society, Disturbed ou Godsmack. O Flying Colours sou eu, Steve Morse, Dave LaRue, Neil More e Casey McPherson. E seria mais como Beatles e Queen encontrando o Coldplay, ou o Foo Fighters encontrando o Yes [risos]. Só estou fazendo coisas diferentes, com estilos diferentes, com pessoas diferentes e aproveitando a minha recém descoberta da liberdade musical”.
E era essa diversidade que você estava procurando ao deixar o DT? “Com certeza, esse é o lance. É por isso que preciso ter esse tipo de diversidade nesta altura da minha carreira. Amo tudo que fiz com o Dream Theater nesses mais de 20 anos e tenho muito orgulho de tudo que alcançamos. Porém não posso fazer só isso o resto de minha vida. Meus gostos e minhas influências são extremas, começando com bandas como Jellyfish e U2 e segue para um outro extremo com bandas como Lamb of God e Machine Head. Preciso experimentar tudo isso. Meu amor pela música é muito amplo e diversificado e é por isso que estou fazendo tudo isso”.
Tocando com o DT, Mike ficou conhecido por sua técnica e habilidade extrema ao instrumento, então a pergunta sobre o que ele vem estudando atualmente tornou-se inevitável.
“Para ser bem honesto, nem estou muito interessado nisso mais... No momento estou focado em aproveitar muito e tocar. Não quero mais praticar e praticar técnica. Penso mais em tocar com outros músicos, fazer música, trabalhar a bateria no contexto de canções e tentar coisas diferentes, sabe? O Flying Colors tem algumas características, o Adrenaline Mob tem outras características e eu ainda tenho um projeto com Billy Sheehan e Ritchie Kotzen que é outro lance... Tenho também outro projeto com Billy Sheehan e Tony McAlpine e Dereck Sherinian que é outra coisa ainda. Só estou aproveitando a diversidade que há entre as bandas, entre os projetos e desenvolvendo os estilos e técnicas do jeito que sempre foi interessante pra mim. Escuto um monte de bateristas diferentes, aprendo muito com eles e, quando me sento na bateria, tudo isso sai de dentro de mim”.
E chegamos finalmente aos homenageados da noite, o Queensryche. Pergunto se Scott Rckenfield uma influência para ele. “Eu adoro o Scott, ele é um grande baterista. Nos primórdios do Dream Theater o Queensryche foi uma grande influencia para todos nós. Adoro o álbum Rage for Order, o The Warning e, obviamente, o Operation: Mindcrime. Esses três álbuns em particular foram uma grande influência no começo do Dream Theater e o Scott foi uma grande influência para mim. Com o tempo nos tornamos bons amigos e as duas bandas fizeram uma turnê juntos em 2003. Lembro-me que fazíamos o bis, eu e o Scott tocando juntos, lado a lado. Ele é um grande cara e eu o adoro... É sempre ótimo vê-lo”.
O kit que Mike usou no show do Fates Warning no Brasil, em 14/4/2012:
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