Aplicações de Engenharia Reversa – Drum'n’Bass– Parte 3

Por Mike Maeda


Após a prática dos exercícios motores e dos grooves essenciais, chega-se ao momento de ornamentar os grooves do drum’n’bass com alguns rudimentos bem pragmáticos ao estilo.

Os buzzes, rulos de cinco toques e paradiddles estão entre os rudimentos mais funcionais na caracterização da perfomance musical do drum’n’bass. Obviamente, a aplicação de qualquer rudimento ao gênero cairá super bem. Basta ter musicalidade.

Buzzes

Na minha opinião, o rudimento mais usual, característico do drum’n’bass é o buzz roll (ou rulo de pressão). Devido aos andamentos rápidos do estilo, o buzz permite a execução de muitas notas em um curto período de tempo e a simulação de efeitos de delays (atrasos de som, eco) apenas com o toque.

Seguem alguns exercícios básicos utilizando o buzz:


Paradiddle

Outro rudimento benéfico para simular as características do drum’n’bass é o paradiddle. Quando aplicado no chimbal, por exemplo, o paradiddle permite a execução de grooves em andamentos rápidos e com um maior número de notas. Nos exemplos abaixo, o chimbal está em semicolcheia, ou seja, dobrado em relação a maioria das conduções tradicionais do gênero. Recomendo estudar os exercícios em andamentos superiores a semínima em 170 bpm, para o aperfeiçoamento da velocidade.

Movimento básico do paradiddle:


Exercícios aplicados do paradiddle aos grooves do drum’n’bass:



Rulo de Cinco

Os rulos de cinco toques são ótimos rudimentos para simulação dos breakbeats* (quebras de compasso), típicos no hip-hop, e ideal para frases. A criatividade em aplicar este rudimento pela bateria estimula a criação de grooves atípicos que, de certa forma, dão um toque mais orgânico ao estilo.

Movimento básico do rulo de cinco toques:


Exercícios de aplicação do rulo de cinco toques aos grooves do drum’n’bass:


* Breakbeats são processos de corte e colagem desenvolvidos pelos DJ’s nos anos 70. Em geral, são fragmentos de músicas gravadas, organizadas e remixadas em seqüência de forma a criar um loop (giro) do mesmo fragmento, em um número pré-determinado de compassos ou tempo. Breakbeats também podem ser as quebras rítmicas de um groove. Geralmente estas quebras são sincopadas.

Bibliografia:

RABB, Johnny. Jungle/Drum N’Bass: for the acoustic drum set. Miami: Warner Bros. Publication, 2001.
VERDEROSA, Tony. Drummers Guide To Loop-Based Music. Milwaukee: Hal Leonard, 2003.
MAEDA, Mike. Reverse Engineering: Os mistérios do processo revelados pela técnica de Jojo Mayer. São Paulo: Faculdades de Artes Alcântara Machado (monografia), 2008.

 


Mike Maeda é baterista e produtor musical, bacharel em instrumento (bateria) pela faculdade uniFMU/FAAM e formado em bateria pela EMT (Escola de Música & Tecnologia). É gerente de produtos da Staff Drum e integrante da banda Líris. Também é especialista em áudio e Pro-Tools formado pelo IAV (Instituto de Áudio e Vídeo). É endorsee das marcas: Staff Drum, Le Son, Octagon Cymbals, Hellocases, Hutch Drums e Batera Clube. Contatos: www.mikemaeda.com.br ou www.liris.com.br .

 


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