
Aplicações de Engenharia Reversa
Drum'n'Bass – Parte 1
Por Mike Maeda
De tempos em tempo alguns gêneros musicais tornam-se o clichê do momento. No universo "técnico-baterístico" isso também acontece e, atualmente, uma das modas é o Drum’n’Bass. Executar estilos musicais eletrônicos em baterias acústicas não é mais novidade para ninguém, no entanto, ainda existem poucos adeptos a tal estilo.
Este processo - chamado de Reverse Engineering (engenharia reversa) - é a conversão das programações criadas por DJ's ou produtores, eletrônicamente, para a execução musical. Os melhores exemplos atuais aplicados desta técnica são os bateristas Jojo Mayer, Johnny Rabb, Akira Jimbo e Tony Verderosa.
Aqui há alguns vídeos deles:
Jojo Mayer
Johnny Rabb
Akira Jimbo
Tony Verderosa
Estas lições têm como intenção apresentar alguns detalhes dos ritmos do Drum’n’Bass e mostrar que a música eletrônica é, também, rica musicalmente.
Drum’n’Bass: breve histórico
O Drum’n’Bass é um estilo musical entre os diversos gêneros da música eletrônica. Advindo do Jungle, primeira vertente do estilo, é composto de grooves de bateria em diversas variações rítmicas e linhas de baixo, habitualmente nas regiões graves.
De natureza instrumental, a maioria das músicas deste estilo tem andamentos rápidos, entre 160 e 200 BPM, e incorporam polirritmias, breakbeats, repetições em giros (loops) e acompanhamentos melódicos ou harmônicos recriados em sintetizadores. As linhas de baixo geralmente são compostas em half-time (metade do andamento) em relação às levadas de bateria, que são mais sincopadas e conduzidas ritmicamente em séries de colcheias e semicolcheias.
Nas linhas melódicas e nos grooves, geralmente os efeitos são muito usados nas remixagens e execuções ao vivo como: delay, reverb, chorus, phaser e flanger. A sonoridade industrial, ou eletrônica, a distorção sonora e a equalização média com ganho nas freqüências graves (de 100 Hz a 300 Hz) e subgraves (de 10 Hz a 80 Hz) também são recursos técnicos bastante utilizados.
Apesar da proveniência inglesa, no início dos anos 80, a origem do Drum’n’Bass é
jamaicana, e data de dez anos antes da ascensão do estilo. Pela falta de dinheiro, os DJs jamaicanos construíam suas próprias caixas acústicas (sound system), ricas em graves, e nas ruas dos guetos, visando animar festas, aceleravam a rotação de discos de reggae, funk e hip-hop. Foi assim que surgiram as características de andamentos frenéticos, conduções rítmicas e alta intensidade dos graves.
No Brasil, o Drum’n’Bass começou a ser apresentado ao público no início dos anos 90 em algumas casas noturnas famosas da época. Em contramão à corrente da dance music, a popularização do estilo levou anos para consolidar-se. Os principais expoentes e responsáveis pela disseminação do Drum’n’Bass em território brasileiro foram os DJs Patife e Mark, que aliaram os ritmos do estilo aos ritmos brasileiros.
Apesar de ser um tipo de música voltado à cultura pop e à dança, o Drum’n’Bass é muito utilizado em comerciais, jingles e trilhas sonoras – assim como muitos outros estilos da música eletrônica.
Groove Básico
Assim como alguns estilos musicais são conhecidos por seus grooves básicos – como o reggae, o samba ou a música cubana – o Drum’n’Bass tem também um groove característico, exemplificado a seguir:
É característica do estilo os andamentos rápidos, de 160 BPM para mais, e a famosa colcheia no contratempo do terceiro tempo em compassos quartenários. No entanto, podem ocorrer deslocamentos e variações dessas notas.
Exercícios introdutórios
Os exercícios a seguir servem para a preparação motora e devem ser executados com metrônomo em semínima a partir de 160 BPM. Logicamente, recomendo estudar cada levada lentamente e aumentar a velocidade de execução gradativamente. Na segunda lição, iniciaremos o estudo com os grooves essenciais do Drum’n’Bass.

Bibliografia de referência desta lição:
RABB, Johnny. Jungle/Drum N’Bass: for the acoustic drum set. Miami:
Warner Bros. Publication, 2001.
VERDEROSA, Tony. Drummers Guide To Loop-Based Music.
Milwaukee: Hal Leonard, 2003.
Vídeo:
INTRODUZINDO drum’n’bass no Brasil. Direção: Fernanda Telles.
São Paulo: Trama, [2004]. 1 DVD (183 min), DVD, doby 2.0, NTSC, color.
Mike Maeda é baterista e produtor musical, bacharel em instrumento (bateria) pela faculdade uniFMU/FAAM e formado em bateria pela EMT (Escola de Música & Tecnologia). É gerente de produtos da Staff Drum e integrante da banda Líris. Também é especialista em áudio e Pro-Tools formado pelo IAV (Instituto de Áudio e Vídeo). É endorsee de Staff Drum, Le Son, Octagon Cymbals, Hellocases, Hutch Drums e Batera Clube. Contato: www.mikemaeda.com.br ou www.liris.com.br.