Deslocamentos na música brasileira - Parte 1

Por Alexandre Damasceno


Um dos fatores determinantes da expressão musical é o bom desenvolvimento das idéias que são escritas/tocadas em uma peça. Este desenvolvimento tem como um de seus objetivos a criação de pontos de tensão e relaxamento, gerando assim algo muito importante chamado movimento. Imagine um elástico que, ao ser esticado, tende a retornar à sua posição original. Quanto mais se estica, ou tenciona, o elástico, mais forte será seu retorno ao repouso. Essa tensão musical, gerada pela instabilidade criada por esta momentânea falta de certeza do pulso, pode ser conseguida de várias maneiras. A que iremos exercitar nestas quatro lições é o que denominamos Displacement ou Deslocamento.

 

Este assunto, já bastante abordado em métodos importados, ainda é merecedor de nossa atenção, pois pouco se fala ou se ouve dele quando aplicado aos nossos ritmos. Esse deslocamento se refere à mudança (ilusória) da pulsação. Ou seja, cria-se um procedimento para enganar o ouvido e fazê-lo crer que o tempo se encontra em outro lugar que não o original.

 

Começaremos com exercícios fundamentais à nossa audição, pois é importante que a ilusão criada seja somente aos outros. Nossa audição deve continuar sempre a entender onde a pulsação realmente se encontra. Tome por exemplo básico o que se segue.

 

I

 

Ao se retirar o clique, a tendência natural é ouvir o exemplo 2 como sendo o mesmo tocado no exemplo 1 (tente ouvir sem ler o exercício escrito).

 

Para se desenvolver a capacidade de assimilação sem a perda da pulsação, comece com exercícios mais simples e, aos poucos, incremente as variações de ritmo até conseguir um vocabulário mais extenso e um ouvido mais bem treinado. Baixem os áudios e ouçam a resultante dos deslocamentos.

 

Ex1: Retardo de uma colcheia



 

Ex2: Antecipação de uma colcheia



 

Ex3: Retardo de uma semicolcheia



 

Ex4: Antecipação de uma semicolcheia



 

Ao praticar, use primeiro o metrônomo. Aos poucos, substitua o metrônomo pela contagem em voz alta do pulso. Passe então a simplesmente marcar mentalmente este pulso e, após este processo, tente simplesmente ouvir sua frase à luz da pulsação original, sem muleta nenhuma. Este é o ponto a ser alcançado, pois é o que mais se aproxima de uma situação musical prática. As manulações devem ser variadas. Sugiro começarem com DEDE, DDEE e por fim DEDD EDEE, sempre respeitando o acento a cada grupo de quatro notas.

 

Na próxima matéria expandiremos o conceito para levadas completas, portanto resolva bem o assunto até este ponto.

 

Bons estudos e seja feliz!

 

Ale Damasceno é professor de bateria na Faculdade de Artes Alcântara Machado (FAAM), Fundação das Artes de São Caetano do Sul e professor substituto da Faculdade Santa Marcelina. Já atuou ao lado de nomes como Phil deGreg, Vincent Gardner, Miles Osland, Zizi Possi, Gal Costa, Jonhy Alf, Olívia Byington, Lucinha Lins, Célia, Virginia Rosa, Vanessa da Matta, Paula Lima, Rubi, Roberto Sion,Toninho Ferraguti, Silvio Mazzuca Jr., João Cristal, Dino Barione, grupo Cascadanta, Marcelo Gomes, Flávio Barba, Jazz Sinfônica de Diadema, Orquestra Filarmônica de São Caetano do Sul, Orquestra Bachiana, Balé Folclórico do Estado de São Paulo (Abaçaí) e Grupo Comboio, entre outros. Atualmente toca com as cantoras Ana Paula Lopes, Jane Mara, Nenê Cintra, o grupo Aquilo Del Nisso e o trio de baterias TrincadiCabum. É endorse de baterias RMV. Dúvidas e sugestões: contato@aledamasceno.com.br . Site: www.myspace.com/aledamasceno ou www.aledamasceno.com.br .


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