
Exercícios, vídeos, dicas e confissões - Parte 4
Por Christiano Rocha
Bem vindo a quarta e última lição!
Ufa! É o fim do exagero! Foram sete vídeos (sendo os dois desta última parte com 106 levadas brasucas), 68 partituras, 44 áudios, diversos textos e algumas confissões (poucas, mas sinceras).
Quase enlouqueci a mim e ao pessoal do site! Aliás, gostaria de agradecer não só ao André Carvalho, mas também ao Roberto Martins, o webmaster (master mesmo!), que fez um excelente trabalho! Muito obrigado, senhores!
Na lição anterior (terceira parte), apresentei um guia prático e resumido com 101 levadas cobrindo 51 ritmos/estilos/gêneros musicais brasileiros. Além das partituras (disponibilizadas para download), apresentei diversos áudios para referência.
Para “turbinar” seu estudo, escrevi nesta quarta e última parte das lições, um texto referente a cada tópico (51, ao todo. Do baião ao xote.). Na verdade, o tal do “texto” é uma espécie de “comentário”, não um “tratado”, então não espere nada “doutoresco”. Não deixe de ouvir os áudios postados na parte anterior (parte 3) e ver o vídeo desta lição, o.k.? Sugiro que você leia os textos a seguir acompanhando as partituras e os áudios da parte 3, senão você adormecerá em cinco minutos!
Lembro que o material abordado aqui é o “básico do básico” (não confunda “básico” com “fácil”), sem muita “firula”. Música brasileira é muito mais que samba, baião e maracatu! Ouça discos (se não tiver grana, baixe, inclusive o meu!), assista a shows (dica: nas unidades do SESC sempre rola coisa boa), compre livros/métodos (Cássio Cunha, Ramon Montagner, Oscar Bolão, Sérgio Gomes, Plínio Araújo, Climério de Oliveira Santos/Tarcísio Soares Resende etc.), veja vídeos (desde o show do Egberto Gismonti na Europa, com o Nenê, passando pelos DVDs de Ivan Lins, João Bosco, vídeo aula do Ramon sobre vassourinhas etc.), pergunte (amigos, professor, músicos, colegas, fóruns etc.), pesquise, enfim, busque informação. Aqui é somente um “aperitivo”.
Mesmo que você nunca toque num grupo de música brasileira, poderá aproveitar e aplicar ritmos brasileiros em estilos diferentes, inclusive no rock e no metal. Ouça a música “Yankee Rose”, do CD Eat’ em and Smile (David Lee Roth), em que Greg Bissonette adapta um samba teleco teco num rock, que você vai entender o que quero dizer.
Por fim, não deixe de experimentar, misturar elementos e de buscar uma interpretação rítmica pessoal dentro do vasto universo rítmico da música brasileira. Não pare na tradição. E divirta-se!
Vídeo 1:
Vídeo 2:
(1) Baião : uma das maiores referências musicais do Nordeste do País.
Dica: ouça como referência algumas gravações mais tradicionais (o box 50 Anos de Chão, com três CDs, de Luiz Gonzaga, por exemplo) e tente adaptar as ideias rítmicas da zabumba, triângulo e blocos sonoros para a bateria. Boa parte dos estilos e gêneros musicais brasileiros (a maioria, por sinal) foi concebida antes de a bateria ser inventada, portanto, é comum a adaptação das partes de instrumentos de percussão para a bateria (baião, samba, maracatu, coco, xote etc.). O baião costuma ser escrito em 2 por 4 e sua subdivisão é quaternária (no caso, semicolcheias). Escolhi como exemplo de áudio (postado na parte 3 das lições que escrevi) um clássico: “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga (o “Rei do Baião”).
(2) Batucada : a batucada é uma das expressões mais tradicionais do samba. O áudio desta batucada é do Carlinhos da Mocidade. Procure ouvir as linhas dos diversos instrumentos, como repenique, cuíca, surdos, ganzás, tamboris etc. Note o acento no tempo 2 de um compasso 2 por 4. O samba costuma ser escrito em 2 por 4 e sua subdivisão é quaternária.
(3) Boi bumbá : do Norte do País, região de uma cultura rica e diversificada. A música escolhida foi “Pássaro Sonhador”, cantada por Fafá de Belém. Note que os tambores graves fazem o papel do “baixo”.
(4) Bossa : agora, depois de 50 anos, nem vou chamar de bossa “nova”, mas a verdade é que a bossa foi uma das maiores responsáveis em colocar o Brasil como uma das principais referências musicais mundiais. O áudio é de uma versão do marco inicial da bossa: “Chega de Saudade”, de João Gilberto, interpretada pelo grupo 3 Na Bossa, com o saudoso Toninho Pinheiro na bateria. Além de Toninho, ouça caras como Milton Banana, Rubinho Barsotti, Hélcio Milito, Ohana, Chico Batera, Claudio Slon, João Palma, Juquinha, Dom Um Romão, Guarany etc. O grande lance na bossa é, além do suingue, a dinâmica. Bem “relax”. Cuidado com o volume do bumbo, principalmente. Muitas vezes as vassouras são uma boa pedida.
(5) Bugio : ritmo do Sul do País. Muito parecido ritmicamente com o baião. A música chama-se “Direitos do Bugio” (grupo Tchê Campeiro).
(6) Caboclinhos : do Estado de Pernambuco. Particularmente, adoro tocar isso na bateria, apesar de não haver bateria na instrumentação original. O áudio é de um CD intitulado Espetáculos Populares de Pernambuco, e é tocado pelo Grupo de Caboclinhos Carijós.
(7) Cacicó: do Norte de País. Nunca toquei um cacicó, mas aí está. O áudio (“Fiesta”) é do Grupo Fruta Quente. Repare na influência afro-caribenha no som.
(8) Candomblé: o Candomblé abrange diversos ritmos, talvez o mais difundido seja o ijexá (não “afoxé”). Aqui peguei duas levadas básicas. Uma com subdivisão ternária (6 por 8 composto) e outra com subdivisão quaternária (2 por 4). Sinceramente, não sei o nome dos ritmos em questão, mas são muito bons de tocar! O áudio é do famoso, e premiado, disco Batucada Fantástica, de Luciano Perrone.
(9) Carimbó: do Norte do País (Pará). Dica: tem uma lição bem bacana dedicada exclusivamente ao carimbó na MD Brasil 85 (Max Kolesne na capa), escrita pelo baterista (é claro!) Leandro Machado, inclusive com muitas informações, do tipo: “A formação instrumental usada no carimbó é: curimbó ou carimbó (tambor que serve de base, construído em tronco escavado, sendo que a pele usada é de couro de boi ou de cobra), maracas, reco de bambu, milheiros, ganzás, pandeiro, banjo, cavaco, flauta, clarineta, rabeca e saxofone.”
A partitura que utilizei na parte 3 quem me passou foi meu querido amigo Lauro Lellis, grande pesquisador da música brasileira, educador e baterista do Tom Zé. O áudio (música “Aruê”) é do Conjunto Ajiruteua.
(10) Cateretê: o cateretê, ou catira, é um verdadeiro mistério para mim. Não tenho nenhum áudio e a partitura que peguei foi roubada do Denílson Oliveira. O pouco que sei em termos históricos, li na Enciclopédia da Música Brasileira (Art Editora). Tai uma boa dica literária.
(11) Chacarera: tocada no Sul do País, “importada” da Argentina, e é em 6 por 8 composto, ou seja, com subdivisão ternária. A partitura foi gentilmente cedida pelo Kiko Freitas, que me ajudou bastante com os ritmos do Sul em meu livro Bateria Brasileira.
(12) Chamamé: assim como a chacarera, é em 6 por 8 composto. É um ritmo de origem argentina, mas também faz parte do folclore gaúcho. O áudio é com o Grupo Tchê Garotos (música “Decisão”).
(13) Chamarrita: do Sul, mas com subdivisão quaternária. A levada é similar a uma levada de baião. O áudio é Noel Guarani (música “Chamarrita sem Fronteira”). Alguns dos áudios da parte 3 foram tirados de uma série de CDs lançada pelo Marcus Pereira (Música Popular do Centro-Oeste/Sudeste, Música Popular do Norte, Música Popular do Nordeste etc.) Taí outra dica!
(14) Chula: também do Sul do País (subdivisão quaternária). Quem me passou a partitura foi o Cesar Audi, grande baterista do Sul. Aliás, o Sul importa grandes bateristas (além do Cesar): Airto Moreira, Nenê, Kiko Freitas, Max Kolesne etc.
(15) Ciranda: do Nordeste do País. Uma das características da ciranda é um acento no tempo 1. O áudio que peguei não sei de onde é. Se alguém souber, por favor, me avise!
(16) Coco: o coco é do Nordeste do País e teve como maior expoente Jackson do Pandeiro. Uma das levadas de coco da parte 3 peguei do Lauro Lellis e o áudio é de um CD intitulado Raízes de Arcoverde, com o Grupo Coco de Arcoverde (música “A Vida Tava tão Boa”).
(17) Congo: nunca tinha ouvido falar de “congo” (fora o país). Quem me ensinou foi meu querido amigo Lincoln Cheib, que toca com Milton Nascimento. Lincoln fez uma pesquisa dos ritmos de tambores para gravar o CD Nascimento (Milton Nascimento). Tive a honra de ter Lincoln colaborando no meu método. No vídeo (postado aqui), você pode reparar que o congo é tocado com um pano em cima da pele do surdo, para simular um tambor com pele animal e tencionada com tripa animal (coitado do pobre animal...).
(18) Contrapasso: mais música do Sul (música para dançar). O áudio é do Grupo Os Serranos (música “O Cancioneiro das Coxilhas”).
(19) Folia: a folia é do Sudeste do País e possui grande conotação religiosa. Alguns andamentos são bem lentos. Uma das partituras também roubei do Lincoln e o áudio eu não sei de onde tirei.
(20) Frevo: forma de dança e música características de Pernambuco. O frevo surgiu no final do século XIX e é dividido em diferentes modalidades: frevo-canção (cantado, após introdução instrumental); frevo-de-bloco (cantado por um coro feminino e tocado por uma orquestra de “pau e corda”, com instrumentos de sopro e cordas); frevo-de-rua (instrumental) e, posteriormente (década de 1950), o frevo da Bahia (interpretado por um trio elétrico). Recentemente, o frevo ganhou mais projeção fora de Pernambuco, com a Spock Frevo Orquestra (tem CD e DVD). O áudio utilizado é um clássico do frevo: “Vassourinhas”, composta por Matias da Rocha.
(21) Guarânia: ritmo em 3 por 4, é do Sul do País e costuma ser executada mais do que se imagina, portanto é bom saber como tocá-la. Segredo não há. O áudio que peguei foi “Serra do Paraná” (Grupo Tchê Barbaridade).
(22) Ijexá: o ijexá, faz parte dos ritmos presentes no candomblé. Uma de suas características é a linha rítmica dos agogôs. O áudio que peguei é da Clara Nunes (música “Ijexá”) e tem sua linha de agogôs “invertida” (grave/agudo). Soa bem, não está errado, então vale! Outros artistas, como Gilberto Gil, deram outra roupagem ao ijexá (ouça “Andar com Fé”, de Gil, para ter uma ideia).
(23) Jequibau: o hoje esquecido jequibau é uma espécie de bossa em 5 por 4. Foi “criado” pelo pianista Mário Albanese e pelo maestro Ciro Pereira. Teve até data de estréia: 13 de agosto de 1965. Uma das peculiaridades do jequibau é o chimbal em dois, criando assim um ciclo de dois compassos (ver partitura). O áudio é a versão original de “No Balanço do Jequibau” (Mário Albanese/Ciro Pereira).
(24) Jongo: um dos “pais” do samba, mesmo tendo subdivisão ternária (6 por 8 composto). O áudio não sei de onde tirei, mas faz tempo. A partitura que usei foi roubada do Ricardo Berti.
(25) Lambada: saiu de moda (ainda bem). Detesto lambada, mas não estou aqui para discutir isso, certo? Preciso ser profissonal... Bem, a lambada é uma música para dançar e fazer cara de latin lover. Ouça o áudio (que me esqueci de quem é...). Não tem segredo.
(26) Lundu: não manjo muito de lundu. Não sei nem se tem acento no “u”, mas roubei uma das levadas de Denílson Oliveira e arranjei um áudio de uma música intitulada “Zé do Ó no Lundu”.
(27) Mangue beat : o mangue beat é muito bacana (muito mais que a lambada). É um movimento musical relativamente recente, tendo como maior ícone Chico Science & Nação Zumbi, que mistura tradição com modernidade, inclusive peguei um áudio deles: “Manguetown”.
(28) Maracatu de baque solto (maracatu rural): o maracatu de baque solto é tocado em áreas rurais do Estado de Pernambuco e é muito diferente do conhecido maracatu de baque virado. O chamado “maracatu rural” é bastante rápido! A ponto de fazer doer as mãos! O áudio comprova (tocado pelo grupo de maracatu Piaba de Ouro).
(29) Maracatu de baque virado: ritmo tocado no Recife (PE). Tem diversas peculiaridades, como o desenho rítmico dos agogôs, das alfaias, do gonguê etc. Dica: compre o livro Maracatu – Baque Virado e Baque Solto, de Climério de Oliveira Santos e Tarcísio Soares Resende. Muito bom! O áudio é do grupo Maracatu Nação Pernambuco (música “Recife”).
(30) Maracatu do Ceará: o maracatu do Ceará, bem lento, notabilizou-se através da música “Pavão Misterioso”, de Ednardo, que foi o áudio que escolhi como exemplo.
(31) Marcha rancho: também conhecida como “marcha de rancho”. Apareceu por volta do fim da primeira década do século XX, para embalar os foliões dos blocos carnavalescos. Não deixe de ouvir clássicos como “As Pastorinhas”. O áudio eu acabei pegando do disco do Perrone (devia ter colocado um “clássico”, mas agora já foi).
(32) Maxixe: um dos temperos do samba. Tem um desenho de caixa bastante peculiar. Eventualmente, os pés fazem um desenho de xaxado, simultaneamente. O áudio é do Nenê (música “Canoas”). Ah, geralmente cai na prova da ULM.
(33) Milonga: outro ritmo do Sul que, assim como o bugio, também parece uma levada de baião. Uma das levadas quem me passou foi o Kiko Freitas. O áudio escolhido foi a música “Um Sonho de Verão”, do Grupo Tchêgarotos.
(34) Moçambique: mesma coisa que o congo (não em termos musicais, mesmo porque é em 3 por 4), ou seja, nunca tinha ouvido falar, não tenho áudio disso e quem me ensinou foi o Lincoln Cheib! Se alguém tiver maiores informações, por favor, avise-me, o.k.?
(35) Partido alto: umas das diversas vertentes do samba. Tem uma divisão bem característica, muitas vezes executada no pandeiro. O áudio que peguei foi de Beth Carvalho (música “Escasseia”). Só suingue!
(36) Pastoril: nunca toquei um pastoril em minha vida! Ouça o áudio e veja a partitura. Os dados históricos eu ficarei devendo. Já o áudio, não faço a menor ideia de onde saiu...
(37) Quadrilha: muito tocada em festas juninas, mas aparece de diversas formas pelo Brasil, variando de região para região (inclusive o nome). Em termos de quadrilha “tipo Luiz Gonzaga”, é importante você analisar, assim como no baião e no xote, o papel da zabumba. O áudio é o classicão “Olha Pro Céu”, com Luiz Gonzaga.
(38) Rancheira: ritmo em 3 por 4, da região Sul do Brasil. A partitura quem me passou foi Kiko Freitas que, além de um baterista sensacional, é profundo conhecedor de suas raízes. O áudio é de Xirú Missioneiro (música “Queixo de Ferro e Beiço de Mola”).
(39) Rasqueado: rasqueado é do Sudeste e o áudio eu não sei de quem é! Vá ao Mato Grosso...
(40) Samba: resumir samba num parágrafo não dá, mas vou citar uma palavra fundamental: suingue! Vou também dar duas dicas:
Tente descolar a coleção História do Samba, da editora Globo. É sensacional (e vem com CD)! Minha coleção eu não vendo!
Ouça algumas das inúmeras referências de bateristas que dominam a arte de tocar samba: Luciano Perrone, Milton Banana, Edison Machado, Rubinho Barsotti, Dom Um Romão, Toninho Pinheiro, Wilson das Neves, Paulo Braga, Oscar Bolão, Teo Lima, Adriano de Oliveira, Paulinho Black, Erivelton Silva, Celso de Almeida, Tutty Moreno, Edu Ribeiro, Ronaldo Basbaum, Zinho, João Cortez, Claudio Slon, Portinho, Airto Moreira, Ohana, Dirceu Medeiros etc. (e o “etc.” é enorme!).
O áudio que escolhi é uma das grandes referências de samba. Moderno. “Maçã”, de Djavan, com Teo Lima na bateria.
(41) Samba afro: Samba afro: variação do samba, utilizando bastante tambor. É uma levada muito bacana de tocar.
(42) Samba cruzado: chama-se samba cruzado apenas porque cruzamos as mãos para tocar o ritmo. É um lance específico para a bateria.
(43) Samba de roda: nossa, tem tanto tipo de samba, que me parece o carinha do filme Forrest Gump falando sobre camarão! Enfim, uma das características rítmicas do samba de roda é a célula feita originalmente com as palmas das mãos (adaptada na bateria no chimbal, com o pé). Arrisco dizer que o samba reggae tem grande influência do samba de roda. O áudio de samba de roda utilizado na parte 3 é do Quinteto Violado (música “Levanta a Saia”).
(44) Samba funk: alguém sabe de onde surgiu o samba funk? Eu não, mas “colo” no Teo Lima que dá certo! Aliás, no áudio é o Teo que toca. A música do áudio é “Virou Areia” (do Lenine, numa gravação do primeiro disco do Batacotô).
(45) Samba reggae: originário da Bahia, o samba reggae tem como um de seus grandes expoentes o Olodum, bloco afro fundado em 25 de abril de 1979. Uma figura fundamental no desenvolvimento do samba reggae foi Mestre Neguinho do Samba, que dirigiu a bateria do Olodum durante vários anos. O áudio é do próprio Olodum (música “Madagascar Olodum).
(46) Samba rock: o samba rock, ou “sambalanço”, apareceu por volta da década de 1970 eé muito tocado até os dias atuais. Muitas vezes utiliza o bumbo do samba com o “backbeat” do rock (caixa nos tempos dois e quatro). Alguns dos grandes representantes do samba rock são Jorge Ben Jor, Bebeto etc. O áudio é a música “Água Marinha”, com Bebeto.
(47) Samba teleco teco: chama-se samba teleco teco dado o “desenho” do aro (uma onomatopéia, portanto). Ninguém fala “hoje vamos gravar um teleco teco”.
(48) Toada: toada é, grosso modo, a balada do baião. O áudio é uma bela composição feita e tocada pelo Dominguinhos, intitulada “Teu Carinho”.
(49) Vaneirão: um dos ritmos mais tocados e conhecidos do Sul do País. Acabou espalhando-se por outras regiões e mal não fará se você souber tocar um vaneirão. Muitas das levadas fazem uso do bumbo de samba. O áudio é do Grupo Os Serranos (música “Morenaça”).
(50) Xaxado: muito parecido com o baião (ouça a zabumba dentro do xaxado). Na verdade, a célula da zabumba executa um toque a mais, no contratempo do segundo tempo. O áudio é de uma música composta e executada pelo Nenê, chamada “Pantanal”.
(51) Xote: o xote é uma forma de música e dança originária da Alemanha. Apareceu no Brasil em 1851 e espalhou-se pelo País, principalmente nas regiões Sul e Nordeste, lugares onde a sanfona é bastante popular. Eventualmente os termos “xote gaúcho” e “xote nordestino” são empregados, apesar de possuírem uma rítmica semelhante. O xote costuma ser escrito em 4 por 4 e apresenta tanto subdivisão ternária como binária. O áudio é uma versão do “clássico” “Xote das Meninas”, cantada por Chico Buarque.
Qualquer dúvida, sugestão, reclamação, doação etc., escreva para christianorocha@terra.com.br.
Christiano Rocha tocou em shows, gravações e clínicas no Brasil e no exterior, juntamente com Andreas Kisser, Cauby Peixoto, Celso Pixinga, Chico Buarque, Chico César, Corciolli, Dominguinhos, Dori Caymmi, Elba Ramalho, Eric Marienthal, Eugénia Melo e Castro, John Patitucci, Jorge Vercillo, Karnak, Mozart Mello, Naná Vasconcelos, Nuno Mindelis, Orquestra Arte Viva (do maestro Amilson Godoy), Paulinho da Costa, Paulo Moura, Stuart Hamm, Tony Levin, Toquinho, Wander Taffo, Zérró Santos e Zezo Ribeiro, entre outros. É autor do método Bateria Brasileira. Lançou o CD Ritmismo, agraciado com o Prêmio Estímulo de Música 2007. Leciona no IP&T (Instituto de Percussão e Tecnologia), em São Paulo, e é coordenador das colunas de estudo da revista Modern Drummer Brasil. Atualmente toca com Adriana Godoy, Corciolli, Peninha e com seu próprio grupo. Contatos: www.christianorocha.com e www.myspace.com/christianorocha.