Ritmos do Candomblé – Parte 3

Por Roberto Rutigliano


Vamos a falar de um ritmo novo do universo do Candomblé: o Cabula. Diz o "Novo Dicionário Bantô do Brasil", de Nei Lopez, a respeito da Palavra Cabula:

Cabula, 1 s.f. (1) Antiga seita religiosa afro-brasileira; (2) Ritmo tocado em Candomblés de origem banta. De origem banta, talvez do quicongo "kabula", animar, encorajar. Ou do suaíle [N. do E.: umas das línguas mais faladas na África Oriental] "kabula", distrair, partilhar.

No Rio também circula o nome Monjolo, mas o ritmo é o mesmo.

Da tradição do Candomblé de Angola, o ritmo é o antecessor mais evidente do samba, o que afirma a importância do Candomblé na formação dos alicerces da música brasileira. A frase que toca o agogô (Gâm) é muito similar à frase que toca o tamborim e que se conhece com o nome de “telecoteco”, na gíria das Escolas de Samba. Por si só uma prova de paternidade. Comparemos as duas frases:

Lembrando que este estilo se toca com as mãos, vamos falar dos três tambores usados: primeiro, o eo Rum-Pi:

E agora, o Rum (o atabaque grave), que é o solista. No Rum há frases que podemos considerar de base:

E outras que aparecem quando ele “dobra” a base ou, em outras palavras, que fazem parte do seu vocabulário da “improvisação”:

Gostaria de dizer que muitas pessoas começam o ritmo no "1", que não é o certo. O ritmo na verdade começa no terceiro tempo.

Agora vamos a adaptar o ritmo na bateria. Para imitar a sonoridade dos atabaques tocaremos com baquetas de feltro, desligaremos a esteira da caixa e tocaremos a frase distribuída nas quatro peças da bateria.

No último exemplo, vamos tocar com baquetas normais e ligar a esteira da caixa. Tocaremos a frase guia no cowbell, e bumbo e caixa com um feeling mais pop.

Aqui há uma aula de Ney D'Oxosse sobre a Cabula. Aliás, é importante citar que Samba de Caboclo é o nome que o Cabula recebe na Bahia.

E esta é uma aula de aula de Ari Colares também sobre o cabula.

 

Roberto Rutigliano é baterista e professor. No Rio de Janeiro, estudou música brasileira com Cláudio Caribé, Wilson das Neves e Ney D’Oxosse, pesquisou música ritual afro-brasileira em terreiros de candomblé e tocou em escolas de samba. Gravou com Sérgio Naciff (1990), com o grupo Xekerê (desde 1993) e Itiberê Orquestra Família (2002), e participou do Festival de Música Contemporânea em Belo Horizonte (2002), com Maria Tereza Madeira, Paulo Santoro e Andréa Ernest Dias. Mantém, com Odette Ernest Dias, o duo Aritmo. Desde 1996 é professor da Pro Arte. Contato: www.myspace.com/robertorutigliano


Comentários

Sobre o site | Política de Privacidade | Contate-nos | 2009 OBaterista.com