
Exercícios, vídeos, dicas e confissões - Parte 2
Por Christiano Rocha
Olá, caro internauta!
Pelos e-mails que recebi e comentários postados no site, notei que ficou um pouco de dúvida em relação ao exemplo 6 da parte 1 (aquele baião esquisito que praticamente não tem aplicação). Como também me sugeriram passar mais alguma coisa de baião, resolvi colocar o exercício 6 na íntegra, que é o ex. 200 da seção de baião do método Bateria Brasileira.
Antes de mais nada, vou disponibilizar aqui o áudio da música em que foi aplicado o exemplo em questão, para que você tenha uma ideia do contexto musical. A música chama-se “Ritmismo” e o trecho desta lição é executado entre 5:57 e 6:09, no solo de bateria.
Áudio da música “Ritmismo” para download (clique com o botão direito do mouse).
Confesso que a inserção desse baião nessa faixa foi totalmente premeditada (armada), mesmo sendo em cima de um solo improvisado (em sua maioria, no caso). Já que estou abrindo o jogo, tem uma frase em “Ritmismo” que também escrevi, que aparece em 4:27. Alguns dizem que escrever e armar coisas tira a espontaneidade da música e deixa a execução fria, mas boa parte dessas coisas armadas é fruto de algo feito espontaneamente em ensaios ou estudos, que tenho o hábito de gravar sempre que possível (aí vai a dica).
Na parte 1 da lição, o baião (exemplo 6) foi escrito em 7 por 8. O solo de “Ritmismo” também é em sete (7 por 16), mas escrevi o trecho em 2 por 4 apenas para facilitar a leitura, mesmo porque costumamos escrever baião em compasso binário.
No exercício a seguir, o pé direito (bumbo) toca a célula tradicional de baião, em 2 por 4; o pé esquerdo (chimbal) toca uma célula rítmica em 3 por 8, abrindo o chimbal (“foot splash”) de três em três colcheias, a partir do primeiro toque, que é no tempo 1; a mão direita (prato de condução) toca uma célula em 5 por 16 (três toques no corpo do prato, seguido de um toque na cúpula e um “espaço” de uma semicolcheia, que pode ser pensado como uma ligadura ou pausa); a mão esquerda (tom 1, tom 2 e surdo) toca uma célula em 7 por 16. O ciclo totaliza 105 compassos (em 2 por 4).
O andamento sugerido é entre 100 e 120 bpm, mas comece bem devagar.
Chega de papo. Aí vai o exercício:
Se quiser, baixe esta partitura clicando aqui.
Caso queria ver uma versão de “Ritmismo” ao vivo, com banda, assista ao vídeo a seguir. Repare que no solo NÃO toco o baião esquisito. Por quê? Simplesmente porque me enchi dele (mas continua sendo um bom exercício para desenvolver a independência dos membros e a noção de tempo, que é FUNDAMENTAL!).
Até a parte 3!
Christiano Rocha tocou em shows, gravações e clínicas no Brasil e no exterior, juntamente com Andreas Kisser, Cauby Peixoto, Celso Pixinga, Chico Buarque, Chico César, Corciolli, Dominguinhos, Dori Caymmi, Elba Ramalho, Eric Marienthal, Eugénia Melo e Castro, John Patitucci, Jorge Vercillo, Karnak, Mozart Mello, Naná Vasconcelos, Nuno Mindelis, Orquestra Arte Viva (do maestro Amilson Godoy), Paulinho da Costa, Paulo Moura, Stuart Hamm, Tony Levin, Toquinho, Wander Taffo, Zérró Santos e Zezo Ribeiro, entre outros. É autor do método Bateria Brasileira. Lançou o CD Ritmismo, agraciado com o Prêmio Estímulo de Música 2007. Leciona no IP&T (Instituto de Percussão e Tecnologia), em São Paulo, e é coordenador das colunas de estudo da revista Modern Drummer Brasil. Atualmente toca com Adriana Godoy, Corciolli, Peninha e com seu próprio grupo. Contatos: www.christianorocha.com e www.myspace.com/christianorocha.