A África na bateria – 3/3

Por Bruno Balan


Olá, galera. Espero que estejam curtindo e aproveitando as idéias rítmicas trazidas do continente africano. Em nosso último estudo dessa série saberemos mais sobre Gana, país que obteve sua independência do Reino Unido apenas em 1957. Foi a partir dessa data que a música popular do país ganhou maior representatividade e passou a ser mais conhecida pelo resto do mundo.

Um dos ritmos tradicionais de Gana que merece destaque é o Gahu. Originário do povo Ewe, esse ritmo tem uma função social/recreacional, cujo propósito é reunir pessoas para confraternizações ao som de tambores, campanas e chocalhos.

Os grooves a seguir são adaptações feitas a partir das percussões para a bateria. Recomendo que se acople cowbell e agogô no kit de bateria, mantendo assim uma linguagem fiel ao ritmo.

No primeiro exemplo, o agogô é utilizado como a linha principal do ritmo (condução). Se você não tiver um cowbell ou agogô, use o prato de condução: a nota grave da condução é tocada no corpo do prato e a aguda é na cúpula. Bumbo, caixa e toms movimentam a levada e são baseados nos tambores africanos usados no Gahu. O chimbal pode marcar todas as cabeças de tempo (semínimas).

O segundo exemplo pode ser conduzido no cowbell ou no prato de condução, e a mão esquerda alterna-se entre o aro da caixa e os tambores. Reparem que a linha de pés é semelhante à do samba.

A terceira levada é indicado principalmente quando houver um (ou mais) percussionista(s) tocando junto. Dessa vez a condução é no prato de condução.

No último exemplo temos uma levada mais pop, com influência de um ritmo também de Gana, mais contemporâneo, o Highlife. Fiquem atentos para a manulação entre chimbal e caixa, que é alternada (DEDE), e nos acentos e abertura de chimbal, pois são esses detalhes que tornam esse ritmo dançante.

Para aprofundar o conhecimento nos ritmos de Gana recomendo a audição de Adesa, Gordon Odametey, Aja Addy e Yaw Roger.

A música africana tem um caráter de improvisação constante, por isso é recomendado um estudo reforçado em cima de cada uma dessas levadas para que novos caminhos de variações e improvisações sejam descobertos e aplicados de forma natural.

Grande abraço e muito som a todos!

 

Bruno Balan é baterista e percussionista, bacharel pela FAAM sob a orientação de Sérgio Gomes e Alexandre Damasceno. Suas atuações como sideman incluem Simone Pelissari, Rick Bueno (Trem da Alegria), Joice Santos (MTV), Miro Dottori, Beba Zanettini, Demma K, Batuque de Nagô, Olívia, Mona Gadelha, Gabriela Nader (FAMA), Paulo Neto (Ídolos), À Brasileira, Pedro Macedo, Silvio de Campos Quarteto, Michel Leme, Jorge Quase, Klaus Ximenes, entre outros.É Diretor Pedagógico dos cursos Bateria e Percussão do Instituto Groove Urbano. Contato: www.myspace.com/brunobalan.


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