
A África na bateria – 2/3
Por Bruno Balan
Dando continuidade à nossa jornada musical, o destino agora é Camarões. País possuidor de rica manifestação artística e rítmica devido à notória diversidade de mais 230 etnias com costumes e dialetos diferentes que se fortalecem pouco a pouco como uma cultura nacional comum.
Nosso foco será no ritmo Bikutsi, originário das danças da parte sul de Camarões e escrito em 6/8 ou 12/8. O significado de Bikutsi é, aproximadamente, “batendo o solo (chão) permanentemente”, o que já dá a idéia de vigor e intensidade com que esse ritmo deve ser tocado.
O exemplo 1 pode ser conduzido no prato de condução ou no Cowbell. Muita atenção para que o encaixe entre a condução e a melodia de bumbo e caixa fique preciso.
Com condução no chimbal, o exemplo 2 é mais marcado e conta com o apoio do bumbo em todas as cabeças de tempo. Fácil, não? Mas, levando em consideração a acentuação dessa levada, temos aqui um exemplo de polirritmia entre o bumbo, que marca as semínimas pontuadas (12/8), e a caixa, que tem um ciclo de acentuação de 4 em 4 notas, formando um novo ciclo que leva três tempos para se concluir (3/4). Matemática à parte, não percam a musicalidade aqui.
No exemplo 3 a intenção polirrítmica continua, mas a acentuação foi transferida para o chimbal. Uma excelente solução de levada quando tiver um (ou mais) percussionista(s) tocando junto.
Para finalizar, no exemplo 4 temos uma levada mais percussiva, executada nos aros da caixa e do surdo, com uma rítmica mais solta. Se você já ouviu falar que a música africana por vezes tem um “efeito hipnótico”, está aí um dos motivos: a não rigidez em manter padrões que se concluem em agrupamentos pares (2 compassos, 4 compassos ). Nesse exemplo a idéia se resolve de 3 em 3 compassos, nos dando uma sensação “circular” do tempo.
Com relação ao andamento, uma média que caracteriza o Bikutsi é de 120 a 150 bpm. Para não perder o costume, destaco a importância de sempre conhecer, ouvir e pesquisar a respeito do que estamos estudando. Sendo assim, segue alguns artistas camaroneses de destaque: Sally Nyolo, Manu Dibango, Richard Bona e Anne Marie Nzié.
Bons estudos e até a próxima!
Bruno Balan é baterista e percussionista, bacharel pela FAAM sob a orientação de Sérgio Gomes e Alexandre Damasceno. Suas atuações como sideman incluem Simone Pelissari, Rick Bueno (Trem da Alegria), Joice Santos (MTV), Miro Dottori, Beba Zanettini, Demma K, Batuque de Nagô, Olívia, Mona Gadelha, Gabriela Nader (FAMA), Paulo Neto (Ídolos), À Brasileira, Pedro Macedo, Silvio de Campos Quarteto, Michel Leme, Jorge Quase, Klaus Ximenes, entre outros.É Diretor Pedagógico dos cursos Bateria e Percussão do Instituto Groove Urbano. Contato: www.myspace.com/brunobalan.