Análise e Aplicação Sistêmica de Rudimentos: O 7 Stroke Roll - 1/4

Por Daniel Oliveira


A partir de minhas observações com bateristas de todos os níveis, notei que, na grande maioria, há uma tendência contemporânea comum: o sub-aproveitamento técnico. Isso se deve ao excesso de informação e à falta de filtragem adequada para aplicação.

Partindo-se do pré-suposto de que há várias décadas atrás já existiam bateristas “superiores” – é claro, descontando-se a genialidade de alguns – apesar da inexistência de mecanismos facilitadores como a internet e uma abertura de mercado que possibilitasse a troca livre de idéias entre músicos de vários países, vem à tona a seguinte questão: como eles faziam?

A característica de superação é, a meu ver, a mais importante do ser humano. Aqueles músicos de alguns anos atrás faziam muito com muito pouco, ou seja, esgotavam as possibilidades de execução e aplicação dos fundamentos que estudavam. Como exemplo, posso citar dois casos clássicos: o de Tony Williams que, quando sob tutela de Alan Dawson, ajudou a revolucionar a coordenação e independência motoras através das mais inusitadas aplicações do “Syncopation”, de Ted Reed; e o de Joe Morello, que revolucionou a técnica de mãos quando teve a idéia de aplicar acentuações ao “Stick Control”, de seu mestre George Lawrence Stone, dando origem ao livro “Accents & Rebounds”.

Assim, proponho não uma negação das comodidades da era em que vivemos, mas sim uma avaliação e aplicação criteriosa das oportunidades de estudos a nosso dispor.  Sob um enfoque prático, este conceito será aplicado em rudimentos de bateria seguindo um sistema racional compreendido dos seguintes passos:

- Apresentação do rudimento;
- Seu desenvolvimento, no qual se demonstra a origem do rudimento;
- Suas aplicações, retirando-se da caixa um grupo de toques por vez, distribuindo-os em outras peças da bateria;
- Aplicações conjugadas entre mãos e pés.

O 7 Stroke Roll ou Rulo de 7 Toques

Como o próprio nome já diz, é composto de sete notas e tem quatro posições básicas: Normal, Invertida, Comprimida e Invertida Comprimida. Por pertencer à família dos toques duplos, normalmente os executo seguindo a premissa de George Lawrence Stone, Rebotes Múltiplos. Ou seja, um movimento para cada toque duplo. A cada aula será abordada uma posição básica do 7 Stroke com todas as suas aplicações.

Espero sinceramente que dessa maneira possa ajudá-los a ter uma visão mais completa de que células básicas podem produzir frases interessantíssimas.

Observe que as notas que serão distribuidas estão sublinhadas nas partituras. Estude o rudimento até dominá-lo e depois comece a distribuir as notas sugeridas pela bateria. Note também que a segunda parte do exercício será aplicar estas notas no bumbo.

O rulo de 7 toques é composto por uma colcheia preenchida por fusas e uma semicolcheia acentuada:

Deriva da figura composta por uma colcheia pontuada e uma semicolcheia acentuada:

O rulo de 7 toques é obtido através do preenchimento da colcheia pontuada da figura acima por fusas:

A retirada individual ou combinada de grupos de toques duplos ou simples da caixa, colocando-os em quaisquer outras peças da bateria:

A mesma retirada de notas da caixa, seguida de sua troca gradual por notas com os pés:


Daniel Oliveira é baterista, professor, sideman e coordenador do curso de bateria do Instituto de Bateria Vera Figueiredo. Estudou na Berklee College of Music, em Boston (EUA) e recebeu o “Provost Excellence Award” da UofL, prêmio oferecido pelo estado de Kentucky aos que detém a melhor nota nas audições do departamento de música. Ministrou workshops em Louisville, Dayton (Ohio), Indiana, Michigan State e Western Michigan. Já tocou no Festival de Jazz de Viena (Áustria) e na semana brasileira do Hyatt Regency Istambul (Turquia). Junto com Vera Figueiredo, lançou pela Hudson Music o play-along "Vera Cruz Island-Brazilian Rhythms for Drumset". Contato: www.myspace.com/danieloliveiradrummer.


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